A qualidade da água no Brasil

Enviada em 30/08/2020

“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Esse fragmento do poema de Gonçalves Dias fomenta a resistente relação de afeto entre a natureza e os escritores da geração Nacionalismo-indianismo do Romantismo. Entretanto, é conspícuo que, hodiernamente, essa relação encontra-se deturpada, posto a fragilidade das medidas para melhora da qualidade da água no Brasil. Nessa ótica, é válido pontuar, de início, os aspectos intrinsecamente ligados a este impasse, com foco na omissão estatal e negligência empresarial.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que a inércia governamental no que tange à tomada de medidas é um agravante desse revés. Sob esse viés, consoante ao conceito de “Contrato Social”, Thomas Hobbes defende que é dever do Estado garantir o bem-estar social. Nessa conjuntura, depreende-se que o ideal filosófico encontra-se defasado, haja vista que o governo desconfigura a visão de bem-estar do corpo social quando decrescentemente exige posturas das empresas quanto aos males de suas ações às águas e aquíferos, além da escassez em propor uma eficiente coleta e tratamento de esgoto, ao qual permite que esse resíduo seja tratado antes de chegar aos rios. Nessa vertente, ao investir minimamente em medidas que visam combater a poluição de rios, o governo, gera uma redução da qualidade de vida devido a carência de água potável e um favorável âmbito de contaminação do indivíduo, que desconfigura o pensamento de Thomas Hobbes.

Ademais, em segunda circunstância, as empresas possuem uma fração de culpa na má qualidade da água no Brasil. Nesse espectro, conforme o economista Hugo Penteado, a busca excessiva pelo lucro está cegando empresas quanto aos impactos ambientais causados. Sob essa lógica, ao seguir a visão do economista, indústrias visando o faturamento realizam o descarte inapropriado de resíduos da fabricação em rios, contaminam as águas com agrotóxicos, fertilizantes e metais pesados, como o mercúrio presente em atividades mineradoras. Nessa lógica, assim como proposto por Hugo Penteado, empresas ao buscarem a rentabilidade, torna a água imprópria para vida.

Em virtude dos fatos supracitados, urge que medidas resistentes sejam tomadas para mitigação desse entrave. Destarte, seria imperioso que o Ministério do Meio Ambiente, como braço do governo na elaboração e execução da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), mediante às parcerias com prefeituras, elabore um projeto de proteção de rios, lagos e mares que visa construir redes de tratamento e coleta de esgoto em zonas com falta de saneamento, para que evite a perda da qualidade da água e a morte da biodiversidade local, como peixes e algas. Assim, poder-se-à assemelhar o âmbito nacional à relação de afeto dos escritores indianistas.