A qualidade da água no Brasil
Enviada em 18/08/2020
A boa qualidade da água é, além de uma necessidade para o homem, uma preocupação para todas as gerações, pois, conforme o tempo passa, mais o planeta é soterrado pela falta de planejamento e pela irresponsabilidade quanto à preservação ambiental. Nesse contexto, em especial no Brasil, essa temática ganha contornos de desespero, tendo em mente que, nas últimas décadas, segundo a ANA, o índice de contaminação das reservas de água potável no país foi de 29% e o de combate e o de prevenção foi de 6%. Diante dessa realdade assustadora, é preciso repensar o comportamento social e estatal deste início de terceiro milênio, no sentido de reeducar a sociedade e de redirecionar as prioridades governamentais, senão, o futuro estará seriamente comprometido.
Em princípio, quando se leva em conta, por exemplo, que o país sustenta, atualmente, de acordo com a revista Science, o status de terceiro no ranking de poluição de recursos hídricos no mundo, torna-se perceptível a gravidade do caso. Isso porque, embora sejam criadas leis de proteção ambiental, a exemplo da lei 9.605/98, os sistemas educacional e jurídico estão entre os piores do globo, com uma margem de mais de 40% de crimes ambientais, sequer, investigados, conforme o CNJ. A consequência disso é a degradação socioambiental, com a destruição de mananciais de água doce, no que tange ao consumo humano, em decorrência do despreparo das autoridades competentes. Tudo isso atrelado à ausência de políticas pactuadas com o desenvolvimento econômico sustentável.
Nesse aspecto, a garantia da boa qualidade da água no brasil é impossibilitada em razão da escassez de investimentos públicos e privados, tanto para o combate ao desperdício quanto para o combate à contaminação, seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, seja pelo acúmulo de metais pesados oriundos de lixões irregulares. Nessa lógica, a população vive em um meio desprotegido, e o pior é o paradoxal cenário no qual é exposta a riscos nocivos à saúde, como fantoche, fato ratificado nas palavras de Guimarães Rosa, segundo o qual " água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba", pois é explícita a pacificidade social em desconformidade com a lei 9.605/98, frente à vulnerabilidade enfrentada no dia a dia dos habitantes do Brasil.
Diante desse cenário catastrófico, urge a tomada de medidas incisivas, pra reverter esse quadro de iminente poluição hídrica. Para tal, as autoridades governamentais, como, por exemplo, o Ministério do Meio Ambiente, precisam implementar políticas de regulamentação, de fiscalização e de execução das normas atinentes para a preservação dos mananciais hídricos, com o desenvolvimento de programas de impermeabilização freática e de agricultura orgânica, evitando-se os autos índices de contaminação das reservas potáveis. Dessa forma, a luta a favor da boa qualidade da água no Brasil não será inócua.