A qualidade da água no Brasil

Enviada em 01/09/2020

O manancial da vida

Já afirmava Claude Levi-Strauss que “o mundo começou sem o homem, e poderá acabar sem ele”. Nessa perspectiva, manter a qualidade da água é fundamental para a subsistência humana e, evitar sua contaminação pelos dejetos industriais e pela falta de saneamento básico, é o mais importante desafio.

Primeiramente, por ser composto de 70% de água, o corpo humano necessita dessa importante substância para sobreviver. Contudo, pesquisas realizadas pela Agência Nacional da Água (ANA), 76% dos mananciais do Brasil são de qualidade boa; já em centros urbanos, essa estatística é ainda pior, apenas 24% apresentam boa qualidade. Por certo, as indústrias têm contribuído para reduzir a qualidade da água, uma vez que seus dejetos poluem córregos e rios que, ao contaminarem-se, levam aos domicílios uma água imprópria para o consumo humano, com gosto e odor ruim. Segundo o jornal Folha de São Paulo, dez milhões de litros de poluentes são descartados, por hora, de forma irregular, nos mananciais, somente na Região Metropolitana de São Paulo.

Ademais, a falta de saneamento básico contribui para a contaminação da água, uma vez que a falta de canalização da rede de esgoto faz com que dejetos domiciliares cheguem aos córregos e rios, podendo, inclusive, causar doenças tais como a Cólera e a Barriga D´água, que ainda assolam a população mais humilde. Embora a Constituição Federal preveja que todo cidadão tem direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e ao saneamento básico, esta realidade, na prática, se mostra bem diferente. Segundo o IBGE, cerca de 46% da população brasileira vive em áreas sem rede de tratamento de esgoto, por isso, a qualidade da água no Brasil se mostra tão baixa.

Portanto, para que se possa mudar essa realidade, cabe ao Poder Legislativo, mediante uma lei que preveja multas severas para indústrias infratoras, bem como a prisão dos responsáveis, para que assim se possa coibir a poluição dos mananciais. Ao Poder Executivo, cabe, ampliar o acesso da população às redes de tratamento de esgoto, através do Programa Nacional de Saneamento Básico, para que os dejetos domiciliares deixem de contaminar os rios. Somente garantindo a boa qualidade da água, o eligir da vida, o homem poderá subsistir, evitando, assim, sua extinção, como previu Strauss.