A qualidade da água no Brasil

Enviada em 19/08/2020

Os rios vão virar sertão

Todos os dias, às seis horas da tarde, os paulistanos trabalhadores enfrentam o trânsito da Marginal Tietê. É comum comentar do mau cheiro do rio. Tão comum que muitas vezes a indagação por trás desses comentários passa despercebida: o quase inexistente tratamento de esgoto, principalmente de indústrias e da agricultura, vem acabando com a qualidade da água no Brasil. É por isso que o governo precisa repensar e reafirmar as políticas de tratamento de esgoto nacionais.

Primeiramente, é preciso fazer leis que obrigam o tratamento correto do esgoto. É de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente criar um plano de uso da água - e o consequente tratamento dos resíduos e esgoto - de maneira responsável e sustentável, que seja imposto ao setor industrial, ao de agricultura e também ao de serviços de saneamento básico, para que o impacto desses seja o menor possível nas águas brasileiras.

Com isso, também é imprescindível a devida fiscalização desse plano. Agências de vigilância precisam assegurar que esse plano seja cumprido. Já existem leis sobre tratamento de águas, mas a falta dessa fiscalização faz com que as empresas muitas vezes não se importem e despejem resíduos diretamente nos rios, por exemplo. O policiamento dessas leis é de inegável contribuição para a melhora da qualidade das águas.

Além de tudo, é importante um plano de tratamento dos rios. De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, em seu estudo de 2019, menos de dez por cento dos rios e córregos analisados estão com qualidade ótima, e mais de vinte por cento com qualidade ruim ou péssima. Isso não se resolve só impedindo a piora. Também é necessária a limpeza desses corpos d’água.

Em suma, para melhorar a qualidade da água no Brasil, o governo, por meio do Ministério do Meio Ambiente, precisa outorgar leis de uso e tratamento responsável das águas por parte da indústria, agricultura e serviços de saneamento básico, além de se responsabilizar pela devida fiscalização e também da limpeza dos rios já poluídos. Com isso, o trabalhador paulistano das próximas gerações não vai passar por um rio mau cheiroso, mas sim por um vivo Tietê.