A qualidade da água no Brasil

Enviada em 30/08/2020

A obra musical “Planeta Azul”, famosa na voz de Chitãozinho e Xororó, diz que: “o rio desce as encostas já quase sem vida parece que chora um triste lamento das águas”. Não obstante, tal questão transcende a arte e mostra-se presente na realidade brasileira ora pela ineficácia da legislação, ora pela má consciência ambiental da população. Sendo assim, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

É válido citar, a início, a recuperação do rio Sena, importante no continente europeu, outrora considerado morto devido ações de degradação, por parte de empresas privadas que comprometeram a rede de drenagem e levaram o governo francês a destinar a elas a responsabilidade de financiar a revitalização. No Brasil, entretanto, a destinação de efluentes domésticos, como esgoto e resíduos domiciliares,  e a poluição oriunda da indústria e mineração perduram, o que acarretou a morte de rios como o Tietê, em São Paulo, e as tragédias de Mariana e Brumadinho, que mataram o rio Doce e Parauapeba, respectivamente. Logo, urge que o Estado aumente a fiscalização e a responsabilidade ambiental do segundo setor econômico.

Em segundo plano, cabe mencionar o pensamento de Leonardo Boff, em que tudo que existe precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver. Sob tal ótica, torna-se evidente que a banalidade do desrespeito à natureza e a inadequada destinação residual, frutos da exiguidade de educação ecológica, implicam na qualidade da água, que de acordo com a ONG SOS Mata Atlântica é ruim ou péssima em 40% dos locais analisados no país, gerando extinção de espécies aquáticas e no futuro a humana, visto a essencialidade da água para o homem. Desse modo, é indubitável a necessidade de consciência social em prol da preservação.

É imprescindível, portanto, que medidas sejam tomadas em defesa da qualidade dos recursos hídricos na nação. Posto isso, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio de Projeto de Lei entregue à Câmara dos Deputados, deve criar um programa que fiscalize e sujeite as corporações responsáveis pela deterioração a arcar com o prejuízo natural e social - em forma de multas e projetos sociais que amparem a população ribeirinha. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deve criar, após amplo debate com escolas e prefeituras, um plano nacional de ensino sobre a importância da proteção das nascentes, bacias hidrográficas e aquíferos, criando nas crianças e adolescentes, base da sociedade, a consciência ambiental. Feito isso, as águas brasileiras não sofrerão mais como na música mencionada inicialmente e se tornarão de ótima qualidade para o abastecimento.