A qualidade da água no Brasil
Enviada em 31/08/2020
As primeiras civilizações, na Mesopotâmia e no Egito, se formaram às margens de grandes rios, dada a essencialidade da água para a vida humana. No entanto, mudanças estruturais na sociedade ao longo de milênios levaram a um modelo no qual há maior valorização dos recursos financeiros, em vez dos naturais, ocasionando na contaminação e consequente inutilização da água para os seres vivos em geral. De tal forma, é notável que os problemas de perda da qualidade desse composto no Brasil têm total relação com a interferência antrópica no meio natural cuja ação é favorecida pelos poderes econômico e político.
Tal agente, poluidor é melhor evidenciado por recentes pesquisas da Agência Nacional das Águas que divulgam a discrepância na condição dos recursos hidrográficos em regiões urbanizadas e naquelas com menor presença humana, sendo nesta maior a existência de águas preservadas. Diante disso, a agricultura exerce seu papel na problemática com o uso de agrotóxicos, insumos, fertilizantes e afins de maneira inapropriada fazendo que, com as chuvas, esses produtos sejam escoados para corpos d’água. Além disso, as indústrias com seus despejos de restos químicos e a falta de tratamento de esgoto em certas regiões são fatores que agravam a situação. E apesar da existência de leis que regulem as atividades citadas, os interesses vinculados a tais setores suprimem a fiscalização e a ampliação legal.
Isso se mostra um empecilho para a democracia, uma vez que o princípio da isonomia é quebrado pelo poder econômico, sendo que atitudes que quebrem as limitações ambientais impostas pela lei brasileira estão sendo toleradas em benefício de uma aristocracia patrimonialista. Isso se mostra uma constante na história nacional, sendo que, por exemplo, no início do século XX, havia a política coronelista na qual os interesses das classes rurais latifundiárias eram atendidos em troca de favores à classe política. Demonstrando, assim, a fragilidade da fiscalização e da efetuação de maneira equânime da lei, algo que precisa ser corrigido para solucionar a questão da poluição hídrica.
Consequentemente, cabe à população e às organizações ambientais pressionarem os poderes legislativo e judiciário para, respectivamente, ampliarem a legislação ecológica naquilo que se refere ao uso e descarte de produtos químicos e fiscalizarem efetivamente a atuação de ruralistas e industrialistas na política e na atividade laboral. Somente assim, inibindo a ação negativa desses setores, será resolvida a corrente destruição dos ecossistemas aquáticos no Brasil.