A qualidade da água no Brasil
Enviada em 24/08/2020
O Brasil contamina a sua maior riqueza
A animação “Rango” aborda a água como a maior riqueza de uma comunidade animalesca cujo habitat é o deserto. Na obra, as personagens reconhecem que todas as atividades sociais dependem do amplo acesso à água potável. Em contrapartida à conscientização presente na ficção, o contexto brasileiro referente à qualidade da água apresenta muitas problemáticas. Isso, pois, embora o Brasil obtenha uma das maiores reservas aquíferas do mundo, estas estão em grande parte contaminadas por poluentes. Além disso, falta no país um plano governamental eficaz de tratamento e preservação da água.
Nesse sentido, um levantamento realizado pela Agência Nacional das Águas aponta que nas áreas urbanas apenas 24% dos corpos d’água encontram-se com boa qualidade. Relaciona-se a esse problema, os objetos liberados pelas indústrias em rios, a produção agrícola com defensivos tóxicos e o insuficiente tratamento do esgoto doméstico. Dessa forma, é imprescindível a aplicação de políticas públicas que visem recuperar os 76% de cursos d’água impróprio para o consumo, uma vez que impactam negativamente a fauna, a flora e todo o sistema de sobrevivência humana.
Por outro lado, observa-se a inocuidade do Estado, no que tange aos serviços de preservação da água, como evidenciaram as tragédias socioambientais de Mariana e Brumadinho (MG), cuja falta de fiscalização governamental adequada ao setor privado gerou danos irreversíveis aos rios locais, que abasteciam o Sudeste e o Nordeste brasileiros. Ademais, além de uma fiscalização precisa, a prestação de serviços estatal deve ser aprimorada por completo no conjunto de ações envolvido no tratamento e preservação das fontes de água.
Diante disso, a fim de preservar e recuperar a qualidade das águas do Brasil, é fundamental que o Governo Federal, em conjunto com os governos locais, estabeleçam um Plano de Ações que obrigue as secretarias do meio ambiente a combater o despejo de poluentes oriundos das indústrias, fazendas, domicílios e mineradoras, sob penas que confisquem os bens dos infratores, por meio do desenvolvimento de um novo decreto de preservação ambiental. Assim, será possível que a sociedade brasileira adquira a consciência retratada em “Rango” de que não há riqueza natural superior à água potável.