A qualidade da água no Brasil

Enviada em 28/08/2020

Na série “Under The Dome”, baseada na obra de Stephen King, é retratada a história de uma cidade que ficou presa em uma redoma indestrutível. Quando a torre de abastecimento é destruída por um acidente e o lago fica contaminado, ocorre, então, uma intensa busca por água. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente relacionada ao contexto atual, evidenciado pela preocupante qualidade desse bem natural no Brasil. Diante disso, entre os fatores que condicionam tal problemática, encontram-se a falta de investimento, por parte do poder público, na gestão do esgoto, bem como a excessiva eliminação de agrotóxicos, proveniente da atividade industrial, em mananciais.

Em primeiro plano, é válido salientar que, segundo o filósofo Tomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e o bem-estar da sociedade. Entretanto, no cenário hodierno, observa-se que tal assertiva não é colocada em prática, haja vista que, a falta de investimento na gestão do esgoto contribui amplamente com a permanência desse problema na atualidade, afinal, conforme exposto pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), cerca de 54% dele é lançado nos rios sem qualquer tipo de tratamento.

Ainda nesse viés, cabe destacar, também, como um dos fatores que prejudicam a qualidade desse recurso, o intenso fluxo de agrotóxicos, advindos da indústria, descartados nos rios, uma vez que, de acordo com uma recente pesquisa feita pelo “Repórter Brasil”, em parceria com a organização “Public Eye”, entre 2014 e 2017, mostrou que uma em cada quatro cidades do país tinha água com misturas desses contaminantes, sendo cinco deles considerados, até mesmo, cancerígenos. Com isso, urge que medidas sejam tomadas o quanto antes, com o fito de garantir a preservação e a qualidade desse recurso que possui grande importância para o equilíbrio ecológico e social.

Em suma, diante dos conflitos abordados, cabe ao Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, investir no precário tratamento do esgoto e criar uma taxa máxima permitida na quantidade de agrotóxicos descartados, mediante o alerta dos possíveis riscos gerados e pagamento de multas pelo não cumprimento dessa prática. Tal medida poderia ser realizada por meio da alocação de recursos do Ministério da Economia e incentivos fiscais de entidades governamentais, com o intuito de minimizar as problemáticas relacionadas a esse setor e, aos poucos, melhorar a qualidade da água no país. Dessa forma, pode-se almejar uma sociedade diferente daquela representada por “Under The Dome”.