A qualidade da água no Brasil

Enviada em 29/08/2020

Na célebre obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista goza de uma imagem extremamente otimista em relação ao Brasil que, na opinião dele, necessita apenas de alguns ajustes para tornar-se uma nação desenvolvida. Fora da literatura, na contemporaneidade brasileira, persistem mazelas que causam retrocesso no país, dentre elas, destaca-se a problemática em relação à qualidade da água no Brasil, que ocorre não só por conta do descaso social frente ao problema, mas também pelo despreparo estatal diante desse impasse.

Primeiramente, é incontestável que a falta de medidas de conscientização relacionadas ao cuidado com a água é uma das causas desse imbróglio. No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, um clássico do Naturalismo brasileiro, é possível observar como o meio social em que o indivíduo está inscrito é capaz de moldar o seu comportamento, pensamento e atitude frente ao mundo. Assim sendo, é de se esperar que em um ambiente ao qual não há zelo pelo água, a população tenda a reproduzir essa prática, descartando objetos  em privadas, jogando lixo e animais mortos em rios, dentre outros comportamentos que pioram drasticamente a qualidade da água brasileira.

Outrossim, o Estado brasileiro possui sua parcela de culpa dentro desse empecilho. A qualidade da água é algo essencial para o bem-estar social da população, ou seja, a ineficácia estatal no controle de descarte de lixo em rios e outros corpos da água e, principalmente, na falta de infraestrutura para saneamento básico para o povo, são despreparos que contrariam a lógica do “contrato social” visto em filósofos contratualistas, como John Locke, que defendem que é dever do Estado promover boa qualidade de vida para seus cidadãos. Segundo dados, de 2016, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) aproximadamente 52% da população nacional não possui saneamento básico, essa realidade precisa ser mudada urgentemente.

Depreende-se, portanto, ser mister a tomada de medidas para atenuar a perda de qualidade da água no Brasil. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado às Secretarias de educação estaduais, poderia fornecer aulas, palestras e debates em escolas das redes públicas, e privadas, abertas à população para demonstrar a importância de se preservarem os rios, e os problemas relacionados ao descarte de lixo nesses locais. Ademais, o Congresso Nacional poderia promulgar uma lei com o objetivo de amplificar o acesso ao saneamento básico no Brasil, aumentando o capital investido nesse setor, movimentando obras de estruturação nessa área, por meio de licitações e outros caminhos legais para atrair construtoras, que concluiriam tais trabalhos, melhorando , além da qualidade da água, a vida de milhões de brasileiros.