A qualidade da água no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Com o decorrer dos séculos, a urbanização acelerada e constante, somados ao crescimento populacional desenfreado, tornaram-se presentes  em escala global. No entanto, ao passo que o âmbito urbano promove e desenvolve inúmeras tecnologias, polui e deteriora fortemente a qualidade de rios, lagos e oceanos, a partir do lançamento de esgotos industriais e domésticos, além da disposição de insumos químicos em afluentes, por exemplo. Assim, de modo a se evitar e mitigar tais problemáticas, é de extrema importância a execução de políticas públicas, de maneira a se monitorar ações industriais e agrícolas poluidoras, bem como desenvolver a rede de tratamento de esgoto.

No Brasil, a predominância do clima tropical e a extensa dimensão territorial contribuem para o país possuir uma das maiores reservas de água doce do mundo, já que conta com 12% da disponibilidade global. Entretanto, ainda assim, o país ainda não tem um serviço de saneamento adequado, frente ao seu vasto potencial. Segundo dados do Ministério das Cidades, no ano de 2010, apenas 46,2% da população brasileira possuía coleta de esgoto. Na região Norte, que concentra 70% das reservas brasileiras de água doce, os dados são ainda mais preocupantes: apenas 6,2 % dos domicílios são equipados por esse serviço.

Deste modo, a disposição inadequada de resíduos domésticos e industriais em afluentes compromete fortemente a sua qualidade, já que impossibilita vida aquática na região, além de ser tornar uma grande fonte de transmissão de doenças potencialmente tóxicas. Paralelo a isso, segundo estudos do Repórter Brasil, em parceria com a organização Public Eye, entre 2014 e 2017, mostrou que 1 em cada 4 cidades do país tinha água com misturas de agrotóxicos. Assim, entre os produtos encontrados, ao menos cinco constam na lista da Agência de Proteção dos Estados Unidos como possíveis cancerígenos, além da detecção de resíduos de medicamentos, os quais oferecem risco potencial aos animais, contaminam a região e estão ligados ao desenvolvimento de superbactérias.

Em suma, pode-se concluir que é clara a necessidade de planejamentos adequados integrados a políticas públicas para maiores eficiências qualitativas das águas brasileiras. Portanto, cabe ao governo federal promover incentivos fiscais para a construção de redes de coleta de esgoto, bem como tratamento, de modo a abranger a população brasileira em sua totalidade, o que se evitaria a disposição inadequada de resíduos tóxicos em rios e lagos, bem como promoveria a manutenção dos índices satisfatórios de qualidade de água. Acrescido a isso, o Ministério do Meio Ambiente deve estabelecer monitoramentos regulares e correta fiscalização quanto as atividades industriais e agrícolas, de maneira a se evitar o descarte inadequado de substâncias tóxicas nos afluentes.