A qualidade da água no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Na antiguidade clássica, os romanos construíram uma tubulação para direcionar todos os efluentes de Roma para o Rio Tibre, o qual foi progressivamente poluído. Atualmente, apesar dos avanços das tecnologias de tratamento de esgoto, é possível afirmar que a qualidade da água no Brasil é baixa. Tal situação provém não só de uma crescente contaminação dos rios pelos setores agropecuário e industrial, mas também da falta de saneamento básico em muitos municípios, a qual torna o problema mais grave.

Primeiramente, é necessário ressaltar que os recursos hídricos vêm sendo contaminados pelas atividades agrícolas e industriais. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Agência Pública em parceria com a instituição ambiental sueca Public Eye, um a cada quatro municípios brasileiros apresenta agrotóxicos na água usada por sua população. Além dessa via de contaminação, há ainda a poluição aquática oriunda das indústrias. Por exemplo, em 2017, no Pará, uma empresa de mineração foi denunciada por devolver águas com chumbo residual, o que gerou doenças crônicas e gastrointestinais em uma comunidade próxima à área industrial. Constata-se, assim, a existência de uma negligência por parte desses setores econômicos com a qualidade das águas no Brasil.

Ademais, é possível observar que a carente presença do tratamento de esgoto nas cidades contribui para que as sujidades e os produtos químicos descartados gerem impactos socioambientais. Segundo o Instituto Trata Brasil, 55% do esgoto do país não é tratado, configurando uma poluição hídrica que só será revertida em pelo menos 50 anos. Nesse sentido, infere-se que, caso medidas de saneamento básico não sejam ampliadas, a contaminação aquática tenderá a aumentar, o que favorecerá a redução da potabilidade das águas e perpetuará a ocorrência de doenças na população por agentes químicos e biológicos. Ademais, haverá um aumento nas chances de eutrofização dos rios, fenômeno biológico caracterizado pela redução de oxigênio disponível para a fauna aquática mediante a decomposição de resíduos orgânicos como fertilizantes e lixo industrial.

Dessa forma, objetivando aumentar o índice de tratamento de efluentes nos municípios, a Agência Nacional das Águas (ANA) - responsável por planejar e gerenciar os recursos hídricos nacionais -, em parceria com empresas de saneamento básico, deve investir na construção de estações de tratamento em locais com carência dessa infraestrutura por meio de verbas públicas e parcerias público-privadas. Ademais, a ANA deverá, mediante o uso de mídias, realizar campanhas virtuais e televisivas que informem a sociedade sobre o problema e peçam a sua participação na discussão, visando estimular a população a cobrar por uma fiscalização estatal mais rígida dos efluentes agrícolas e industriais.