A qualidade da água no Brasil
Enviada em 31/08/2020
Em “Vidas Secas”, obra publicada em 1938, Graciliano Ramos aborda a realidade de uma família do sertão nordestino que tem de lidar com a falta de acesso à água, devido a intensa seca.Assim, ainda que o artigo 225 da Constituição Federal Brasileira de 1988 dite que todos têm direito a uma íntegra qualidade de vida, tal como na ficção,a falta de acesso à água de qualidade rompe esta legislação. Desse modo, é válido analisar como a má gestão de esgoto e pouco comprometimento ambiental por parte de grandes empresas e a sociedade acentuam o problema, para que medidas sejam tomadas.
Conforme defendera o cientista moderno Antonier Lavoisier, na natureza há conservação de massas e por tal motivo, nada é perdido ou criado mas modificado.Por conseguinte, toda matéria advinda de um meio deve ser bem regulamentada,uma vez que ela retorna para este, razão pela qual o tratamento de esgoto torna-se essencial.Entretanto, no âmbito nacional, a má gestão de esgoto faz com que uma demasiada quantidade de lixo e resíduos seja despejada de forma irresponsável em rios, ato que gera exacerbada poluição e torna a água inapta ao consumo, mesmo com tratamento, assim como ocorrera com o rio Tietê em São Paulo, eutrofizado em decorrência do acúmulo de matéria orgânica. Com isso, o baixo acesso ao esgoto gera a proliferação de diversas patologias e diminui a qualidade de vida social, tal como aumenta as despesas no Sistema Único de Saúde, fator que necessita de maior atenção estatal.
Outrossim, consoante ao pensador Hans Jonas, a ética individual é medida por meio da responsabilidade assumida com as gerações futuras. Contudo, a contemporaneidade pouco se importa com tal conceito e compromisso, o que pode ser avistado nas ações de empresas ligadas ao agronegócio, que comprometem a qualidade e disponibilidade hídrica através do alto desmatamento para a expansão da fronteira agrícola, o que contamina e modifica toda a dinâmica dos rios. Além disso, a própria sociedade subvaloriza a educação ambiental e por diversas vezes, é responsável pela contaminação das águas, fatores que poderiam ser modificados com maior ação fiscalizadora por parte governamental.
Nesse âmbito, consta-se que a qualidade da água é prejudicada pela ineficiente rede de esgoto e baixa responsabilidade ambiental de grandes empresas e do meio social. Dessa maneira, faz-se necessário que o Governo Federal aumente o investimento em saneamento básico, através do repasse financeiro adequado às Secretárias Municipais de Saúde e acordos com empresas responsáveis pelo saneamento, para que haja destino adequado aos resíduos e os rios não sejam poluídos. Ademais,o Ministério do Meio Ambiente deve se atentar ao problema e assim, fiscalizar e monitorar de forma mais intensa empresas relacionadas à atividade agropecuária , para que estas evitem práticas ilegais e não contaminem as águas . Assim sendo,o cenário exposto na obra de Graciliano Ramos será inverossímil ao caso brasileiro.