A qualidade da água no Brasil
Enviada em 01/09/2020
“O Egito é uma dádiva do Nilo”, como já dizia Heródoto, geógrafo e historiador grego, há 2.500 anos. Em um dos locais mais áridos do planeta, esse rio foi determinante para a vida e prosperidade de quem vivia ao seu redor, suas cheias traziam sedimentos que tornavam as terras férteis para a agricultura, fornecia água potável e abrigava numerosos peixes. Atualmente pouco mudou, e a água continua sen-do um elemento essencial para a manutenção da vida e dos ecossistemas do planeta. Logo, a falta dessa tem um impacto gigante na vida das pessoas, afetando sua saúde e seu desenvolvimento. Nesse sentido, a inércia governamental no investimento para saneamento e a sua má gestão destacam-se na perpetuação do problema.
Em primeiro plano, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), antigamente, a principal ameaça à água eram os resíduos industriais. Todavia, hoje, o grande problema que afeta o recurso no Brasil é a grande quantidade de esgoto que é lançada nos rios sem o devido tratamento. Estima-se que quase metade dele, no Brasil, não seja coletado e cerca de 54% não recebe tratamento (74,5% não passa por nenhum tratamento). O esgoto, no entanto, não o único poluente, como comprovado por uma pesquisa feita pela Agência Pública e a organização Public Eye, que mostrou que 1 em cada 4 cidades do país ti-nha água com misturas de agrotóxicos e medicamentos. Esse cenário, certamente, configura-se como desagregador e não pode ser negligenciado.
Outrossim, é imperativo pontuar que a falta de investimento e a quada do orçamento federal para a universalização do saneamento agem como impulsionador do problema. Por conseguinte, com a falta desses poderá faltar água potável para 74 milhões de brasileiros até 2035, segundo a BPBES. Não obstante, antes das reservas atingirem níveis críticos, a água brasileira sofrerá uma grande redução em sua qualidade. Desse modo, o Governo atua como agente perpetuador da problemática. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da socie-dade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Infraestrutura, em parceria com o SUS (Sis-tema Único de Saúde), aumentar o acesso aos quatro serviços do saneamento -por meio de investimentos no Plansab (Plano Nacional de Saneamento Básico) -a fim de as consequências da problemática sejam reduzidas à zero. Por sua vez, as empresas devem colaborar, capacitando seus funcionários para realização de melhores projetos. Dessa forma, os brasileiros verão o direito garantido pela Constituição como uma realidade próxima.