A qualidade da água no Brasil
Enviada em 01/09/2020
O crescente fértil é a localização do início das civilizações humanas, tanto em termos científicos quanto religiosos -tomando como base a civilização ocidental. Nesse arquétipo de local para surgimento de vida, civilizações se formaram, animais foram cuidados e plantas foram cultivadas. Tudo isso pela simples disposição natural da água no meio. Nesse sentido, do mesmo modo que alguns gregos tiveram um dia, a água como a “fonte vital”, arkhé ou princípio gerador do planeta em suas alegorias filosóficas, hoje, a importância da água se faz tão necessária quanto na mesopotâmia e na Grécia e revela problemas na qualidade do tratamento da água ofertada, tanto devido ao uso indiscrimidado de insumos agrícolas, assim como a permanência de problemas de saneamento básico no Brasil.
É incontrovertível que a questão agrária tenha destaque no problema. Estando o Brasil, entre os maiores exportadores de commodities do mundo (matéria primária sem processamento industrial), é de se esperar que grande parte de sua produção tenha o devido controle da presença de agrotóxicos, pela inequívoca influência destes no solo, e na qualidade da água local. É tido como verdade científica, a necessidade de controle no uso de insumos agrícolas nas produções, por sua grande capacidade de permeabilidade nos aquíferos e nascentes do país, que estão intimamente ligados à qualidade da água ofertada à população.
Do mesmo modo, se vivemos em meio ao auge do capitalismo informacional, tendo como premissa inerente o desenvolvimento tecnológico e o consumismo exacerbado, é de se esperar que uma parte da população mundial venha sofrer das intempéries de um sistema que tende a favorecer polos industrias e grandes metrópoles por suas evidentes proeminências no quesito capacidade de produção. Cabe ainda salientar, que além de infundir na qualidade da água, justamente por marginalizar parte da população com pouco poder aquisitivo, o capitalismo predatório se utiliza de grande de volume de água em sua produção de carros, tecnologias, alimentos, etc, tornando-se assim num ciclo vicioso dentro da estrutura social.
Nesse sentido, cabe à população, a partir dos argumentos supracitados, agir em conformidade à constituição brasileira, que não só prevê o direito à dignidade da vida humana, mas também fornece os alicerces à resolução do problema: a manifestação. Do mesmo modo, sendo a água um recurso limitado na natureza e também indispensável à vida humana como um todo, cabe ao governo nacional, o investimento em medidas públicas que favoreçam àqueles mais desprovidos, fiscalizando a utilização de insumos agrícolas nas produções e investindo em tecnologias que melhorem a sua distribuição, como é o caso de Israel, pioneiro em pesquisas de viabilização da água do mar ao consumo humano.