A qualidade da água no Brasil

Enviada em 16/09/2020

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora à questão da qualidade da água no Brasil, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados para resolvê-la. Dito isso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática, que estão relacionadas ao descaso estatal e a falta de políticas de otimização da saúde pública.

A princípio, salienta-se o desprezo do Estado como agravante desse problema. Sob esse viés, o sociólogo alemão, Dahrendorf, no livro “A lei e a ordem”, afirmou que a anomia é a condição social na qual as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se que a lei n° 9433, legislação a qual assegura o direito à água adequadamente tratada, encontra-se em estado de anomia, pelo fato de não ser devidamente aplicada. Nesse viés, é possível nos recordarmos de um caso de Minas Gerais noticiado pela Globo no qual os moradores estavam ingerindo água vinda de um reservatório em que tinha um cadáver em decomposição, água contaminada.

Ademais, análoga à primeira lei de Newton, verifica-se que há uma inércia estratégica estatal no país. Comprova-se isso pelo fato de que o Estado não promove políticas de otimização da saúde pública, uma vez que muitos brasileiros não têm acesso à água tratada e à rede de saneamento básico de qualidade e, dessa forma, os cidadãos são prejudicados por conta do desinteresse do governo em solucionar os imbróglios que rodeiam as situações em que a água está inserida. É fato que: o regime estatal é incompetente perante essa conjuntura.

Em face do exposto, intentando o alcance da água para todos e a preservação desse bem, conforme o pensador Auguste Comte, é preciso saber prever a fim de prover. Assim, o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente devem realizar campanhas e palestras que visam alertar a população sobre os malefícios que os maus tratos à água geram, além de criar projetos que objetivam melhorar as redes de saneamento básico e construir mais empresas de tratamento de água, por meio de políticas públicas e dos veículos midiáticos, com intuito de sensibilizar a comunidade acerca da importância da água e aprimorar a vida de todas as pessoas. Para mais, o Estado deve abandonar a “comodidade” para que ações eficazes sejam operadas em toda densidade demográfica.