A qualidade da água no Brasil

Enviada em 15/10/2020

O final do século XIX ficou marcado pelos avanços da Medicina e da Química, os quais apontaram a água, descoberta sua contaminação, a causa maior de diversas doenças, como a cólera, que assolavam populações. O emprego do cloro - um novo desinfetante - foi fundamental à limpeza do líquido. A impureza hoje é tamanha que tal purificador já não basta. Para compreender esse problema, é necessário atentar-se às causas e, principalmente, às soluções.

Para começar, a má qualidade das águas brasileiras insere-se no “Antropoceno”, a atual era geológica apontada por alguns cientistas como o período de maior impacto humano no meio ambiente. Sem contar os descartes industriais e da agricultura, além dos danos causados pelo plástico, a falta do saneamento básico revela-se um problema à preservação do solvente universal, na medida em que, segundo o Instituto Trata Brasil, pouco menos de 50% dos brasileiros não possui serviços de coleta de esgoto, culminando em doenças, como a hepatite A, e morte da biodiversidade, fruto do processo de eutrofização. Como exemplo do desasseio, pode-se citar o Rio de Janeiro, tanto no passado - com a degradação por esgoto e lixo da Baía de Guanabara (antigo albergue de golfinhos) como no presente - com a contaminação da água potável por geosmina (produto do metabolismo bacteriano). Compreender as causas de um problema, portanto, é fundamental à solução, a qual deve ser técnica e cautelosa.

Neste sentido, boa parte das medidas contra a poluição dos corpos hídricos deve perpassar o saneamento básico, entregá-la à inciativa privada, porém, não é o melhor caminho. Isto quer dizer que o Marco do Saneamento Básico, o qual estimula a privatização dos serviços de saneamento no país, foi uma medida errônea. Há de se compreender que a busca pelo lucro - própria das companhias privadas - alija o investimento em cidades menores. Em outras palavras, ao retirar o subsídio cruzado da área, que faz com que as companhias hídricas com superavit (de cidades maiores) subsidiem aquelas mais problemáticas, o Marco vai na direção contrária de Berlim e Paris. As metrópoles internacionais, como mostrado pela BBC (“British Broadcasting company”), estatizaram as companhias de água, tendo em vista os altos preços cobrados pelas privadas. Logo, a água deve ser um bem público : a distribuição de um líquido limpo é obrigação moral e cívica de um país, e nisso o dinheiro não se imiscui.

Em suma, compreender a precariedade do saneamento básico nacional é fundamental à busca de soluções ao problema da baixa qualidade da água brasileira, devendo tal resolução não permear o privado. Assim, a sociedade civil deve compreender a água como um bem da cidadania para exigir o direito de acesso a ele e (como dever) visar protegê-lo a partir da pressão nos governantes. Como exemplo, metas públicas de saneamento universal devem ser estipuladas.