A qualidade da água no Brasil
Enviada em 27/10/2020
No romance “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, uma família sertaneja é retratada em meio à luta pela sobrevivência. Na trama, o problema da seca e o desamparo governamental fomentam a opressão social dos nordestinos atingidos pela estiagem. No Brasil Pós-Moderno, analogamente, a escassez da qualidade da água se vê, de fato, atrelada ao mal uso da água pela sociedade e à negligência governamental no abastecimento e no tratamento da água. Diante de excludente cenário, faz-se imprescindível o debate acerca da proposição de intervenções que o mitigue.
Mormente, ao tomar como norte uma esfera estritamente histórica acerca da utilização inadequada do meio hídrico, nota-se o caso paulista. Nesse ínterim, no ano de 2014 iniciou-se uma crise hídrica no estado mais populoso do país, no qual os níveis de seca e desabastecimento populacional atingiram estruturas preocupantes. Diante disso, fez-se necessário o racionamento da oferta de água à população, em vistas da possibilidade iminente de desabastecimento total da população. Não obstante, a crise hídrica ponderou as deficiências no planejamento e na infraestrutura desenvolvida para a distribuição de água aos populares.
Ademais, vale ressaltar uma perspectiva sociológica em torno da relevância das forças governamentais no combate às mazelas sociais. Nesse sentido, enfatiza-se a ótica do iluminista Jean-Jacques Rousseau, ao entender que o homem é naturalmente bom, mas logo é corrompido pela sociedade. De tal forma, faz-se necessário a existência de um órgão administrativo na manutenção da ordem entre os seres. Fora do pensamento sociológico, é mister a necessidade das ações governamentais no combate ao deficiente tratamento dos recursos hídricos e às crises de abastecimento. Em suma, o papel do Estado é fundamental na manutenção da qualidade da água fornecida à população, haja vista a precariedade das condições de tratamento e abastecimento da água.
A problemática da qualidade da água, portanto, enfrenta barreiras preocupantes no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão responsável pelo ensino no país, atuar na conscientização da população na utilização racional dos recursos hídricos. Tal medida prevê extinguir a utilização exacerbada por parcelas sociais e a má distribuição dos recursos. Ademais, cabe ao Governo Federal, em parceria às companhias responsáveis pelo fornecimento da água, propor medidas protecionistas que inibam crises hídricas e o tratamento inadequado da água, a exemplo de vistorias contínuas aos centros de distribuição e tratamento. Somente assim, atenuar-se-á a má qualidade de distribuição dos recursos hídricos, tal qual retratado no sertão nordestino de “Vidas Secas”.