A qualidade da água no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Percebe-se que, no Brasil, os debates acerca da questão da água estão cada vez mais disseminados. Nesse contexto, é imperioso analisar as consequências desse item. Desse modo, dois fatores fazem-se relevantes: a poluição e a inércia estratégica estatal.
É comum a divulgação de propagandas que ensinam a reutilizar água, tomar banhos mais curto e outras formas de cuidar desse bem, entretanto, não é de conhecimento geral que para produzir um hambúrguer, por exemplo, gasta-se 5 mil litros d’água em média e se for quantificada a economia de água nas residências o número é irrisório se comparado com a água utilizada para confeccionar produtos que são de uma forma ou de outra básicos para alimentação civil. Dito isto, fica claro que o uso da água como um recurso é desproporcional quando comparado o uso domiciliar ao uso industrial e da mesma forma o custo cai desproporcionalmente para a parcela da população que menos usa esse bem universal .
Outrossim, a negligência das entidades públicas contribui para a crise hídrica, sobretudo no quesito do sistema de saneamento básico mal definido no Brasil. Sob essa ótica, é interessante evidenciar o livro “Capitães de Areia” de Jorge Amado, no qual mostra o descaso do governo com a população ao não promover políticas públicas de saneamento básico, o que desencadeou inúmeras mortes, devido às doenças que os indivíduos contraíram- como a varíola. Analogamente, tal fato, apesar de fictício, se assemelha à situação que a população brasileira vive, na medida em que o governo se mostra omisso para criar mecanismos de redistribuição de água e, consequentemente, fornecer um programa de saneamento básico eficaz. Por conseguinte, enquanto houver a negligência das entidades públicas, os brasileiros continuarão vivendo nessa problemática.
Portanto, para que possa tratar de maneira efetiva a questão da água no Brasil é necessário que haja primeiro o conhecimento, pela população, dos caminhos da água e em qual lugar está o verdadeiro problema de uso irresponsável. Dessa forma, é dever do Poder Legislativo criar leis que limitem o consumo de água pelas indústrias e ao mesmo tempo aumentem o valor que elas pagam por esse recurso que está sendo ofererecido quase que de graças às empresas transnacionais. Ademais, é dever do Poder Executivo a criação de contratos que obriguem as empresas, que utilizam esse recurso brasileiro, a diminuírem sua pegada ecológica e que tornem reutilizáveis a água que estes empresários usam para que assim a questão da água no Brasil seja resolvida de maneira efetiva.