A qualidade da água no Brasil

Enviada em 20/11/2020

No início do ano de 2020, observou-se no estado do Rio de Janeiro uma das piores crises hídricas já registradas, acompanhada de cheiro e gosto estranhos na água doméstica, o que cientistas associam à contaminação por esgoto doméstico e poluição industrial. Tal cenário, no entanto, não é estranho no Brasil, onde apenas uma minoria dos rios usados para o abastecimento da população é considerada de qualidade boa. Depreende-se, portanto, este cenário nefasto da água no Brasil expõe não apenas a negligência quanto à saúde da população, dependente dos recursos hídricos, mas também quanto ao meio ambiente e à sobrevivência de gerações futuras, de forma que convém analisar as causas dessa problemática e os entraves para a sua resolução.

Paralelamente, se por um lado o Sudeste, região mais próspera do Brasil, enfrenta problemas relacionados à qualidade da água, em regiões marginalizadas como o Norte e o Nordeste o problema é ainda maior e representa os piores dados do país. Segundo uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2018, menos da metade do esgoto gerado é tratado no Brasil, e quase 35 milhões de brasileiros não tem acesso à água tratada. Diante disso, evidencia-se que a Lei do Saneamento Básico de 2007 carece em sua aplicação, pois falha ao cumprir com a universalização das redes de água e esgoto, de forma a deixar a população exposta a doenças.

Ademais, além do tratamento deficiente, os recursos hídricos são tratados com descaso por parte da população e de seus governos, por intermédio de atividades como a agricultura, a indústria e o turismo, responsáveis por grande parte de seu consumo e contaminação. Segundo o filósofo do meio ambiente Hans Jonas, é imoral inutilizar recursos que sejam vitais para a sobrevivência de gerações futuras. Logo, a administração consciente da água, sendo esta um recurso não renovável, trata-se de uma responsabilidade atual, de forma que é imprescindível a tomada de uma ação imediata com o fito de mitigar o problema.

Conclui-se, pois, que para melhorar a qualidade das águas no Brasil é necessário pressionar a Câmera dos Deputados para a criação de leis e punições mais restritas quanto a poluição agrícola e industrial dos mananciais. Os governos municipais, principalmente no litoral, devem investir na fiscalização e aplicar multas em casos de poluição por parte do público. É necessário, também, a criação de projetos do executivo que visem à aplicação da Lei do Saneamento, a fim de garantir a democratização do tratamento de água e de promover condições salubres para a população carente. Apenas assim será possível reverter o quadro hodierno e, conforme o pensamento de Hans Jonas, garantir a permanência deste recurso para possibilitar a sobrevivência de gerações futuras.