A qualidade da água no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O personagem Jeca Tatu, do escritor brasileiro Monteiro Lobato, faz uma crítica à qualidade dos recursos hídricos brasileiros. Isso porque essa figura literária é portadora de esquistossomose, uma doença contraída pelo contato com água contaminada. Da mesma forma, a potabilidade dos mananciais do país enfrenta não só problemas relacionados a doenças, mas também sofre com a irresponsabilidade ambiental de empreendimentos de grandes proporções e com o saneamento precário de muitas cidades.

Em primeiro lugar, a falta de comprometimento de hidrelétricas e de mineradoras afeta negativamente a preservação da qualidade dos recursos hídricos do país. Nessa perspectiva, o Brasil enfrentou não apenas um, mas dois desastres ambientais decorrentes do descaso de grandes corporações para com a legislação ambiental: o rompimento das barragens de Mariana e de Brumadinho. Nesses episódios, as bacias hidrográficas das regiões citadas foram extremamente prejudicadas, porque ocorreu o assoreamento de rios, a contaminação de afluentes e o soterramento da mata ciliar. Desse modo, a irresponsabilidade de projetos energéticos e de extração mineral degrada a potabilidade das águas brasileiras.

Em segundo lugar, a ineficiência da cobertura de saneamento básico causa danos aos mananciais de água doce, como rios, córregos e lençóis freáticos. Segundo o geógrafo Eustáquio de Sene, existem três tipos de coleta de esgoto: a fossa séptica, a fossa seca e a fossa negra. As duas últimas são as predominantes no Brasil e causam a contaminação das águas, porque não contam com isolamento impermeável, como o da fossa séptica. Dessa forma, os dejetos humanos se infiltram no solo e atingem os rios, o que leva à eutrofização, isto é, ao acúmulo anormal de matéria orgânica na água, e à proliferação de zoonoses como amebíase e esquistossomose.

Portanto, o comprometimento das bacias hidrográficas brasileiras se deve à imprudência de organizações empresariais e ao descarte inadequado de rejeitos humanos. Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente deve exigir que mineradoras e hidrelétricas executem projetos de restauração de ambientes degradados, por meio da biorremediação – que consiste na utilização de microrganismos que degradam efluentes –, a fim de oferecer melhor potabilidade hídrica ao país. Ademais, o Ministério do Desenvolvimento Regional, órgão responsável pelas políticas de saneamento básico, deve oferecer subsídios às companhias de tratamento de água e esgoto, por meio do crédito facilitado junto ao Tribunal de Contas da União, a fim de aumentar o número de localidades com saneamento. Assim, a sociedade brasileira superará o estigma da baixa qualidade da água criticada por Jeca Tatu.