A qualidade da água no Brasil
Enviada em 31/05/2021
Conforme o filósofo pré-socrático Tales de Mileto, a água é a “physis” do mundo, ou seja, tudo começa por ela e tudo também a perpassa. Contudo, ao analisar-se a conjuntura hodierna do Brasil, percebe-se que a hegemonia desse recurso natural é uma inverdade, pois cada vez mais é verificado um decréscimo na qualidade desse elemento, configurando, assim, um imbróglio socioambiental que tem como agravantes a precariedade do saneamento básico no Brasil, que no que lhe concerne causa diversas doenças relacionadas à deficiência encontrada nesse setor, além da poluição dos corpos de água, cada vez mais recorrente em âmbito nacional. Sendo assim, é válido concluir que a problemática em questão não pode ser negligenciada e deve ser resolvida.
Em primeira análise, é oportuno citar que de acordo com um levantamento feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) entre 2009 e 2018, três milhões de internações foram realizadas por doenças relacionadas às más condições de tratamento de esgoto. Dito isso, pode-se inferir que essas condições vão em direção contrária à etimologia da palavra saneamento básico, que, derivada do latim medieval, significa “tornar saudável, higienizar, limpar”. Sendo assim, percebe-se a confirmação da existência de péssimas condições desse serviço no Brasil, o que traz à tona a urgência de uma mitigação adequada para tal suplício de viés ambiental.
Em segunda análise, é conveniente remeter-se a um trecho da canção “Planeta Água”, do cantor e compositor Guilherme Arantes, que é “Águas que banham aldeias e matam a sede da população (…)”. Tais dizeres ressaltam a relevância de combater a poluição dos corpos de água em nível nacional, afinal esse recurso é necessário para a manutenção da vida humana. Ademais, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), no ambiente urbano há um aumento na classificação ruim e péssima das águas de 26% e 11%, respectivamente, o que configura um desrespeito à Constituição Federal, que prevê a disponibilidade de água para a atual e as futuras gerações.
Portanto, o acometimento de medidas operantes é necessário para a coibição do impasse abordado. Dessarte, urge a efetivação, pelo Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Fazenda, do Plano Nacional de Saneamento básico por meio do cumprimento das metas estabelecidas do documento, da recuperação dos objetivos atrasados e da reorganização do fluxo de caixa, com o intuito de haver o investimento necessário para que haja uma palpável modificação da conjuntura de precariedade do saneamento básico no Brasil. Outrossim, faz-se preciso uma ação da Agência Nacional de Águas (ANA) com a Rede Globo, que consiste na criação de propagandas dinâmicas, a fim de fazer a população refletir sobre os perigos da poluição dos corpos de água. Assim, o problema poderá ser mitigado.