A qualidade da água no Brasil

Enviada em 18/08/2022

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática da falta de acesso à água de qualidade no Brasil. Desse modo, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a omissão da sociedade.

Sob essa perspectiva, é necessário destacar a forma que o Estado costuma lidar com esse imbróglio. Isso ocorre porque, como afirmou o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Isso é perceptível pela ausência de investimentos em programas que tencionem a assistência adequada às pessoas que possuem moradias precárias e insalubres em virtude, principalmente, do exíguo tratamento com o saneamento básico. Dessa maneira, é inádiavel a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do assunto exposto.

Além disso, cabe analisar a participação nociva de parte da sociedade na questão. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman expressa que, em tempos de modernidade líquida, as relações se formam com rapidez e, consequentemente, o descaso com o próximo se torna ordinário. Prova disso é a condição de passividade de parcela da população com essa substância essencial, que conforme dados do portal G1, o país desperdiça cerca de 39% de toda a sua água portável que é captada. Sendo assim, a regulação sobre os setores que mais consomem é bem tênue, uma vez que o governo e os legisladores querem simplesmente transformar recursos naturais em mercadorias.

Destarte, são necessárias ações para resolver os problemas discutidos. Logo, é essencial que o governo federal, por meio verbas governamentais, elabore, em conjunto com as prefeituras municipais, um plano nacional da conscientização adequada dos recursos hídricos. Para isso, cada prefeitura precisa ter em sua gestão um programa sustentável para essa ação. Espera-se, com essa medida, que a má qualidade da água seja paulatinamente erradicado.