A qualidade da água no Brasil
Enviada em 20/09/2022
O geógrafo Josué de Castro definiu o “ciclo do carangueijo”, no qual indivíduos que habitavam regiões de manguezais na cidade do Recife, assim como o animal, atendiam suas necessidades de alientação e hidratação com o que retiravam do lama do mangue. De forma semelhante, nota-se, hoje, que boa parte da população brasileira tem dificuldade de acesso a água limpa para o consumo. Diante disso, faz necessário discutir a qualidade de tal recurso natural no Brasil, em especial a contaminação de suas fontes, bem como a omissão estatal na sua preservação.
De início, nota-se que a contaminação de corpos hídricos por descarte de esgoto não tratado se configura como importante fator para a baixa qualidade da água no Brasil. Isso acontece, pois menos de 38% do esgotamento sanitário recebe o devido tratamento antes de ser despejado na natureza, segundo o Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS). Com isso, boa parte da população, é exposta a microrganismos causadores de doenças oriundos da água contaminada.
Ademais, percebe-se que há, por parte dos goventantes, uma falta de interesse na conservação dos recursos hídricos no Brasil. Pode-se notar isso ao analisar os dados da Agência Nacional de Águas (ANA), os quais mostram que apenas 17 dos 27 estados do país realizam o monitoramento da qualidade da água. Isso se deve ao fato de a conservação de tal recurso natural requerer a tomada de medidas a longo prazo, as quais não são interessantes para a imagem dos políticos que estão do poder, pois elas são difíceis de serem usadas em propagrandas eleitorais.
Portanto, percebe-se que o baixo percentual do esgotamento sanitário que é tratado e a falta de interesse dos políticos diante desse problema, contribuem para a baixa qualidade da água no Brasil. Faz-se necessário, pois, que os governos federal e estadual invistam recursos financeiros para a criação de redes captação e estações de tratamento de esgoto, as quais devem ser localizadas em áreas de maior concentração populacional, tendo como finalidade a redução da contaminação dos corpos hídricos. Também, cabe aos estados a realização do monitoramento da qualidade dos recursos hídricos, o qual deve ser realizado a partir da criação de agências específicas voltadas para esse fim. Pois, dessa forma, o ciclo do carangueijo poderá ser interrompido.