A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)

Enviada em 31/10/2019

Os números do Conselho Nacional de Justiça relativos aos processos de adoção mostram que, no Brasil, há uma quantidade muito maior de candidatos querendo adotar do que crianças e adolescentes para serem adotados. Apesar de esses dados aparentarem que não há problemas relacionados ao acolhimento infanto-juvenil no Brasil, o que se observa é um número excessivo de menores sem lar. Dentre os fatores que explicam essa realidade, destacam-se a incompatibilidade entre o perfil exigido pelos adotandos e o perfil dos possíveis adotados, bem como a burocracia relativa aos processos de adoção, que, no Brasil, mostra-se morosa.

Em primeira análise, verifica-se que a maioria das pessoas interessadas em adotar não manifestam interesse em acolher crianças e adolescentes com as características mais comuns dentre aqueles que estão em situação de abandono. Essa situação é evidenciada por dados do Cadastro Nacional de Adoção de Crianças e Adolescentes, registrados em 2016, os candidatos mais recorrentes rejeitam a possibilidade de perfilhar negros, pardos e crianças acima de 5 anos. Esse fato pode ser exemplificado no filme nacional “O contador de histórias”, em que o protagonista, Roberto Carlos, é considerado um caso perdido no orfanato em que vive, situação agravada pela sua cor e pela sua idade. Logo, é evidente que as exigências dos adotandos são um entrave ao acolhimento dos jovens em questão.            Em segunda análise, observa-se que há uma grande demora na conclusão dos processos de adoção. Apesar de o governo ter aprovado a lei nº 13.509/07, que reduz prazos e burocracias próprias ao processo de perfilhação, a finalização dos procedimentos ainda é lenta, especialmente em função do exorbitante número de processos que tramitam nas Varas da Criança e da Juventude. Da mesma forma, a ausência de profissionais indispensáveis no acompanhamento dos processos, como assistentes sociais ou psicólogos, fomentam para que a situação se torne ainda mais alarmante. Em suma, é inegável que mais ações devem ser realizadas para combater essa infeliz realidade.

Portanto, para mitigar o problema do número excessivo de crianças na fila da adoção, é premente que o Poder Judiciário destaque novos juízes para deliberar processos dessa natureza e reserve maior orçamento para a contratação de profissionais voltados para o procedimento de acolhimento. Além disso, faz-se necessário que o Poder Executivo, em conjunto com ONGs envolvidas na solução do problema, promova campanhas sazonais de incentivo à adoção, por meio de postagens em mídias sociais que informem à população a situação dos processos de adoção no Brasil e o perfil dos jovens em situação de abandono. Dessa maneira, haverá considerável diminuição do excedente de crianças sem lar, apontado pela pesquisa do Conselho Nacional de Justiça.