A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)

Enviada em 28/03/2020

Na séria canadense ’’ Anne whith an e ’’ situada em 1908,é contada a história de Anne,uma menina órfã que é destinada para a família Cuthberts para ser possivelmente adotada.Logo de início a sua chegada,surge uma rejeição por parte da mãe adotiva,pois essa queria um menino para poder ajudar na lavoura e não uma menina,pois segundo ela, garotas não são consideradas aptas para realizar trabalhos físicos.Fora da ficção,a idealização de um perfil de adoção persiste até hoje.De fato,o principal desafio para a adoção no Brasil está na demanda por perfis estereotipados e a burocracia no processo de adoção.

A priori,o cadastro nacional de adoção vive constantemente um conflito,pois segundo dados 80% dos pais que desejam adotar procuram crianças com menos de 3 anos de idade,brancas e do sexo feminino,características que correpondem a apenas 7% dos disponíveis para acolhimento.Sob esse contexto,o recurso de adoção que foi criado com o intuito de garantir um lar seguro para os menores tornou-se um processo mercadológico,onde os pequenos são escolhidos como produtos nas prateleiras de mercados,o que demonstra o ápice da desumanidade.

A posteriori,é conhecido por todos a demora nos processos de adoção. No entanto,a perfilhação é considerada a última opção,antes disso há uma análise e entrevista com pessoas dentro do âmbito familiar que possam cuidar do menor,e só depois de esgotadas as alternativas é que o pequeno estará apto a adoção.Contudo, o problema é que quanto mais os anos se passam,menores ficam as chances da criança ser adotada,pois haverá o distanciamento do perfil pretendido pelos adotantes,aumentando exponencialmente o número de órfãos no Brasil.

Portanto,medidas são necessárias para resolver o impasse.Sendo assim,ong’s amparadas por representantes como o ‘‘Centro de apoio a criança e o adolescente’’ devem promover a implementação de campanhas anuais de incentivo à adoção,estas que devem ser televisionadas e disseminadas nas redes sociais,com vídeos que possibilitem aos adotandos deixar uma mensagem curta para seu possível adotante,com o intuito de aumentar os índices de acolhimento e dar a oportunidade desses jovens terem um lar,independente do gênero,idade ou cor que possuem.Ademais,prazos devem ser estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça que diminuam o tempo de trâmite no processo de adoção,para que esse sofrimento da espera minimize e não acarrete traumas ao psicológico dos pequenos.Talvez assim consiga-se melhorar a questão da adoção de crianças e adolescentes canarinhos.