A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)
Enviada em 25/09/2020
Até o século XX, no Brasil, apenas casais heterossexuais e sem filhos biológicos estavam aptos a adotar uma criança. No entanto, atualmente, novas leis permitiram que a possibilidade de adoção abrangesse o resto da população, porém, ainda há outras dificuldades para esse processo ocorrer fluidamente no país, como a questão do preconceito, por parte dos futuros pais, e da precária estrutura nas varas da infância.
Em primeira instância, a adoção no Brasil é dificultada pelo fato da maioria dos indivíduos desejarem somente bebês brancos e que não apresentem nenhuma deficiência genética. Nesse sentido, segundo o portal de notícias “G1”, apenas 22% das crianças adotadas no país são negras ou nasceram com síndrome de Down. Sob esse aspecto, uma imensa parte dos brasileiros é preconceituosa, e é inadmissível o Brasil, um país democrático, que deveria haver a igualdade racial e a inclusão dos deficientes, possua números tão alarmantes e prejudiciais para a adoção dessas crianças.
Além disso, vale salientar que a falta de profissionais da psicologia atuando nas varas da infância é preocupante. Nesse prisma, conforme a pediatra Susana da Cunha, uma boa saúde mental dos pais é essencial para o desenvolvimento sadio na infância. Dessa maneira, as famílias, que pretendem adotar, geralmente não realizam um diagnóstico psicológico devido a escassez de especialistas nessa área, e isso é nocivo para as crianças e adolescentes.
Depreende-se, portanto, que a adoção enfrenta desafios que afetam a infância dos brasileiros nessa situação. Logo, o Ministro da Justiça, como responsável por assegurar o comprometimento com o Estatuto da Criança e do Adolescente, deve priorizar a necessidade de psicólogos como requerimento para poder adotar, por meio da elaboração de uma lei que obrigue a apresentação de um diagnóstico positivo no processo de adoção. Espera-se, com isso, que o número de psicólogos atuando nessa área aumente as crianças adotadas possuam um lar onde possam desenvolver-se de forma saudável.