A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)
Enviada em 03/11/2020
O filme americano “De repente uma família” lançado em 2018, conta a história sobre um jovem casal que decide adotar uma adolescente de fortes características temperamentais, e descobrem que ela havia mais dois irmãos que precisam ser adotados juntos. Fora da ficção, é visível as dificuldades e problemas enfrentados por casais em momentos de adoção de crianças e adolescentes, análogo ao filme, situações diversas podem ocorrer, corroborando, assim, em problemáticas ainda mais complexas. Nesse contexto, essa é uma realidade muito presente na vida dos brasileiros, uma vez que, o precário sistema de adoção anda em caminhos opostos aos dos adotantes e dos futuros adotados.
Em primeira análise, é fulcral ressaltar quais são esses problemas que surgem nesta questão, sejam eles relacionados à convivência familiar ou até mesmo enfrentados durante o processos de adoção. Segundo dados estatísticos liberados pelo jornal Estadão, cerca de 85% dos adotantes não querem crianças com mais de 6 anos de idade, paralelamente, a mesma pesquisa informa que, mais de 90% das crianças disponíveis para adoção têm idade maior que essa desejada. Sob essa perspectiva, torna-se evidente que novas problemáticas possam surgir decorrente dessa instável relação entre a procura e a disponibilidade. Por fim, cria-se na sociedade brasileira um débil sistema adotivo, em que se torna prejudicial para todos que dependem e precisam desse serviço.
Outrossim, torna-se necessário destacar que se não tratados, esses problemas, podem tornar um pesadelo a vida do jovem adotado e de sua nova família, tornando uma relação menos prazerosa para ambos. Nesse sentido, em 2019 foi criado o SNA - Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento - com objetivo de acolher temporariamente crianças e adolescentes, enquanto aguardam o retorno à família de origem ou a sua adoção. Por fim, nesse viés, percebe-se o desenvolvimento, por parte do Estado, de novas estratégias para inibir a ideia, impregnada na população, de adoção apenas das crianças menores de 6 anos.
Ademais, para estabelecer de forma harmônica todo o processo de adoção na sociedade brasileira, é preciso trazer a todas famílias experiências adotivas que possibilitam definir o perfil do seu “filho ideal”. Por conseguinte, cabe ao Estado em parceria com os órgãos e institutos de crianças e adolescentes, criar um projeto de oportunidades para essa grande maioria que acaba não sendo prioridade na hora da adoção, que vise o desenvolvimento e aperfeiçoamento da educação desses jovens, deixando a eles, a escolha entre a adoção ou a participação desse projeto. Só assim o Brasil conseguirá estabilizar todo o processo de adoção, além de estar criando um novo futuro para todos esses jovens.