A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)
Enviada em 20/02/2021
A série “Stranger Things” aborda o retrato de uma sociedade durante a Guerra Fria, na qual a personagem Eleven, uma menina em situação de vida precária, é adotada por Jim Hopper, que passa a ocupar o local de paternidade da menina. Diferentemente ao longa-metragem, os baixos números de adoções de crianças e adolescentes se tornaram recorrentes na sociedade brasileira, visto que há adversidades na ampliação das práticas de adoção para a resolução do problema. A partir disso, a problemática encontra raízes no silenciamento e na lacuna educacional da sociedade.
Em primeiro plano, vale destacar que a deficiência dos dados relacionados à adoção de jovens se deve, indubitavelmente, à falta de debates sobre o tema, já que o ideal de família imposto pelas mídias é, majoritariamente, composto por filhos biológicos dos casais, perpetuando para que a problemática seja ignorada pela hegemonia do corpo social. Concomitantemente, segundo a teoria da “Modernidade Líquida”, do filósofo Bauman, conforme a sociedade progride, maiores desafios socioeconômicos passam a existir na coletividade humana, dessa forma, os indivíduos tendem a priorizar o debate de outros problemas sociais. Dessarte, as contrariedades modernas são tangenciais à deficiência na troca de ideias.
Além disso, é evidente que a problemática é resultante de uma lacuna na esfera educacional brasileira, de modo que, segundo Kant, o indivíduo é resultado da educação adquirida por ele. Por conseguinte, a abstinência de conteúdos relacionados a conjuntos familiares com filhos adotivos contribui para a invisibilidade dos orfanatos e demonstra a despreparação e a negligência do sistema educacional para o problema. Assim, as escolas contribuem para a manutenção do estigma à adoção de crianças e adolescentes.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a resolução da situação, como a criação, por parte do Ministério da Educação (MEC), de um plano em escala nacional para propagar, por meio de incentivos fiscais, debates sobre o tema na maior parte dos ambientes sociais. Ademais, o plano nacional deve adicionar disciplinas sobre os conjuntos familiares com filhos adotivos na grade escolar, de modo que toda a juventude tenha acesso a informações sobre a temática. Logo, o MEC, o plano nacional e as escolas montarão um tripé social terminante do problema, para que a ampliação do número de adoções de jovens seja observada na sociedade, assim como em “Stranger Things”.