A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)
Enviada em 07/06/2021
No livro “The Blind Side”, escrito por Michael Lewis, é abordada as dificuldades e a discriminação que uma família branca sofre por adotar um jovem negro. Assim como na obra literária, a questão da adoção no Brasil é preconceituosa e burocrática. De modo que o processo adotivo e o preconceito da sociedade dificultem ainda mais as oportunidades de crianças e adolescentes órfãos ganharem um novo lar.
Diante desse cenário, é possível destacar a burocracia para adotar alguém no Brasil. Conforme os dados do Conselho Nacional de Justiça, depois que o adulto resolve acolher uma criança, ele deve passar por diversos processos demorados, como: curso preparatório psico-social, entrevistas, ter seu perfil aprovado e por fim iniciar o estágio de convivência com a criança. Apesar de serem processos importantes para garantir uma nova moradia feliz e saudável ao jovem, conforme assegura o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devido ao longo tempo de espera para conseguir um filho, muitos pretendentes ficam desestimulados e acabam desistindo de adotar.
Além disso, é possível destacar o preconceito como um dos principais obstáculos para a adoção de uma criança. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, mais de 5 mil crianças estão disponíveis para serem adotadas e mais de 30 mil pessoas estão interessados em ser pai ou mãe adotivos. No entanto, muitos desses pretendentes não estão interessados em adoção tardia, ou seja, adotar jovens acima de 12 anos. Há também aqueles que rejeitam a ideia de adotar crianças negras, seja por serem racistas ou por terem receio de serem constrangidos pela sociedade. Outro fator impeditivo é os casais homoafetivos interessados em formar uma família, que infelizmente, têm suas fichas rejeitadas devido à homofobia praticada pelas equipes responsáveis por avaliarem os pais. Logo, tais coisas além de dificultarem o processo de adoção, também desobedecem à Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a qual diz que todos os cidadãos são iguais e não devem ser discriminados por raça, origem, cor, ou orientação sexual.
Portanto, é dever do Congresso Nacional e o Poder Executivo, através de implementações e aprovações de leis, agilizar o processo de adoção. De modo que o torne menos burocrático, mais acessível e atrativo, incentivando a adoção de todas as crianças e adolescentes, independente de idade ou cor. Espera-se, com isso, melhorar a questão de adoção de crianças e adolescentes no Brasil.