A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)

Enviada em 04/07/2021

No seriado norte-americano “Grey’s anatomy”, é contado a história da médica Meredith Grey, onde ela e seu marido se veem incapaz de ter filhos biológicos, optam pelo processo de adoção. Assim, a narrativa cresce com eles conhecendo Zola, uma menina africana que chegou através de um projeto do hospital, passando por diversos obstáculos para a conclusão da adoção da criança. Fora da ficção, é evidente as dificuldades encontradas para a adoção no contexto brasileiro. Isso se dá, principalmente, pela preferência dos pais por crianças dentro de um perfil específico e a morosidade da Justiça, que, por conta de deficiências estruturais para acelerar o processo, acaba por prolongar a estadia das crianças nos abrigos.

Em vista a isso, é revelada que a preferência de pais por crianças com até 3 anos, do sexo feminino, em perfeito estado físico e mental é um dos principais fatores para a adoção no Brasil ser mais complexo. Segundo à escritora Aline Ignácio Pacheco, adotar uma criança é dar à luz a uma esperança. Sob essa visão, é possível afirmar que pais que querem ter preferência de ter um filho de menor é egocêntrico por não pensar em outros jovens que também passam por dificuldades e ficam sem acolhimento. Dessa maneira, é notório que a ausência de ações estatais colabora para essas dificuldades, fazendo com que medidas sejam tomadas.

Outrossim, é necessário apresentar que a Burocracia e a demora para que toda documentação e a preparação do lar faz com que muitas crianças passem meses, anos nos abrigos. De acordo com Manoel Clístenes, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza e membro da Comissão de Adoção Internacional do Tribunal de Justiça do Estado, o procedimento deveria durar, no máximo, seis meses. Entretanto, devido à lentidão do Judiciário e da longa tentativa de recuperar os laços da criança com a família de nascimento, a destituição pode levar mais de um ano.

Portanto, medidas devem ser tomadas para a facilidade da adoção no Brasil. Visto nisso, é preciso que o Governo brasileiro crie mecanismo de aproximação entre as famílias e as crianças com o apadrinhamento afetivo, que dá à criança a oportunidade de conviver em família por um certo tempo, como um caminho para a adoção de crianças mais velhas. Ademais, deve-se mudar as políticas públicas e acelerar o processo priorizando os casos de adoção de crianças entre 5 a 17 anos, e diminuir o tempo de espera no processo de adoção, fazendo programas conscientizando as pessoas que pretende adotar uma criança. Desse modo, o povo brasileiro saberá reconhecer mais a situação de crianças e jovens que merecem um lar independente da idade e gerando, assim, menos crianças vivendo em abrigos ou na rua.