A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)

Enviada em 22/07/2021

No seriado norte-americano “Grey’s anatomy”, é contada a história da médica Meredith Grey, em que ela e seu marido, que se veem incapaz de terem filhos biológicos, acabam optando pelo processo de adoção. Assim, a história cresce com eles conhecendo Zola, uma menina africana vinda de um projeto do hospital, e ao passar assim por diversos obstáculos para a conclusão da adoção da criança. Fora da ficção, é fato que são as mesmas dificuldades encontradas para a adoção no contexto brasileiro. Isso se dá, principalmente, pela preferência dos pais por crianças dentro de um perfil específico e a morosidade da Justiça que, por conta de deficiências estruturais, acaba por prolongar a estadia das crianças nos abrigos.

A princípio, vale ressaltar que, conforme o Conselho Nacional de Justiça, no Brasil, mais de 6 mil crianças esperam para ser adotadas e a maioria das famílias que se habilitam a adotar não querem crianças mais crescidas ou adolescentes. Segundo a escritora Aline Ignácio Pacheco, adotar uma criança é dar à luz a uma esperança. Sob essa visão, é possível afirmar que adotar qualquer criança, independentemente da idade, é essencial para construir uma relação afetiva. Contudo, ainda existem pais que querem ter preferência de ter um filho de menor idade, mostrando-se a ser egocêntricos por não pensarem em outros jovens que também ficam sem acolhimento. Isso demonstra, portanto como é a visão da sociedade em relação a adoção de crianças mais velhas.

Outrossim, é necessário apresentar que a burocracia e a demora da documentação fazem com que muitas crianças passem meses e até anos nos abrigos. De acordo com Manoel Clístenes, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude e membro da Comissão de Adoção Internacional do Tribunal de Justiça, o procedimento deveria durar, no máximo, seis meses. Entretanto, devido à lentidão do Judiciário e da longa tentativa de recuperar os laços da criança com a família de nascimento, pode levar mais de um ano. Dessa maneira, é notório que a ausência de ações estatais colabora para essas dificuldades, então, é necessário tomar as providências cabíveis.

Portanto, medidas devem ser tomadas para a facilidade da adoção no Brasil. Logo, é preciso que o governo brasileiro crie um mecanismo de aproximação entre as famílias e as crianças com o lar temporário, que dá à criança a oportunidade de conviver em família por um certo tempo, como um caminho para a adoção de crianças mais velhas. Ademais, deve-se mudar as políticas públicas e acelerar o processo priorizando os casos de adoção de crianças mais velhas, além de diminuir o tempo de espera no processo de adoção. Desse modo, o povo brasileiro saberá reconhecer mais a situação de crianças que merecem um lar independente da idade, e assim, menos crianças morando em abrigos.