A questão da adoção de crianças e adolescentes no Brasil - ENCEJA E.M. (2017)
Enviada em 03/05/2022
O filme estadunidense “Instant Family” (traduzido para o português como “De repente uma família”) mostra o drama de um casal que, enfrentando desafios (especialmente com a justiça), consegue adotar três crianças - que são irmãos biológicos. Paralelamente à trama, a realidade do processo de adoção no cenário brasileiro enfrenta dificuldades que vão além da legislação e que, devido à idealização do perfil que é buscado, podem variar entre: preconceito racial, com a idade ou com a presença de irmãos sanguíneos.
Em um primeiro cenário, pode-se avaliar que, apesar do processo de adoção no Brasil ter avançado, o número de crianças alojadas em abrigo é muito alto, pois a maioria não faz parte do perfil procurado pelas famílias (bebê de até 2 anos, brancos, etc.). De acordo com o Conselho Nacional de Adoção, há cerca de 48 mil crianças e adolescentes alojados, e desses apenas 5 mil estão aptos a serem adotados. Ainda que, em tese, a quantidade de pessoas interessadas em adotar ultrapasse esse número, o preconceito enraizado na sociedade causa tamanha incompatibilidade, visto que das 5 mil mais da metade são pretas ou pardas, têm entre 7 e 17 anos e têm irmãos de sangue.
Além dessa discordância deixar milhares de jovens sem família - consequentemente sem cuidado, carinho e atenção especiais - vale ressaltar que os abrigos acolhem pessoas até os 17 anos. O que implica num desamparo, especialmente financeiro, que pode futuramente abrir caminhos para a criminalização, já que nem todos conseguem um emprego após deixar os abrigos.
Diante dessa realidade, faz-se necessária uma atenção maior da mídia e do Governo Federal voltada para esse assunto. Com as intenções de, respectivamente, sensibilizar, incentivar e informar pessoas a adotarem crianças e adolescentes (além dos padrões) através de campanhas midiáticas, e criar um auxílio financeiro (especialmente para famílias que adotam irmãos biológicos), para que consigam ampliar as chances dos menores de ganharem uma família e terem a garantia de um futuro estável.