A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 07/12/2025

Em Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus retrata a rotina marcada pela fome e pela desigualdade, realidade que voltou a ganhar força no Brasil durante a pandemia de Covid-19. A crise sanitária agravou vulnerabilidades históricas e expôs milhões de brasileiros a situações de insegurança alimentar. Nesse contexto, a fome deixou de ser apenas um problema social e tornou-se uma emergência humanitária que atingiu principalmente famílias pobres, trabalhadores informais e comunidades periféricas.

Em primeiro lugar, o desemprego gerado pela pandemia contribuiu significativamente para o avanço da fome. Segundo dados do IBGE, o país registrou números recordes de desocupação entre 2020 e 2021, afetando aqueles que dependiam do trabalho diário para garantir o sustento. Sem renda fixa, muitas famílias passaram a depender de doações ou de programas emergenciais do governo, que, embora importantes, não foram suficientes para garantir alimentação adequada. Dessa forma, a fome se intensificou e aprofundou desigualdades já existentes.

Além disso, a falta de políticas públicas contínuas e estruturadas agravou o cenário. A desarticulação de programas como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) prejudicou o monitoramento das condições de fome no país, dificultando respostas rápidas e eficazes. Ao mesmo tempo, a alta nos preços dos alimentos, decorrente de fatores econômicos e logísticos, tornou o acesso à comida ainda mais restrito. Assim, a pandemia evidenciou a fragilidade do sistema de proteção social destinado às populações vulneráveis.

Portanto, para enfrentar a fome em tempos de pandemia e evitar retrocessos futuros, é fundamental fortalecer políticas sociais permanentes, como programas de transferência de renda e incentivo à agricultura familiar. Também é necessário retomar estruturas de fiscalização e planejamento, garantindo que o Estado monitore e previna crises alimentares. Dessa forma, será possível assegurar dignidade às famílias brasileiras e impedir que a fome continue a ser uma marca histórica do país.