A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 08/09/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, Brasil é sinônimo de progresso e planejamento eficiente, o que projeta uma visão promissora de um tempo de ouro. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama da fome no país, sobretudo em tempos de pandemia — um impasse alarmante para o desenvolvimento de uma sociedade justa. Assim, é possível afirmar que não só a percepção da fome como uma causa não rentável, mas também a falta de empatia nas relações sociais fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário ressaltar o quão a fome não é levada a sério não só no Brasil, mas como se fosse uma doença global que é negligenciada. Por exemplo, vê-se que na conjuntura pandêmica há uma verdadeira corrida para patentear vacinas e vendê-las para “ajuda humanitária”, o que contrasta com os números divulgados pela United Nations Organization, os quais informam que, no ano de 2019, 800 milhões de pessoas passavam fome no mundo. A priori, é evidente que tal auxílio humanitário não passa de uma farça — afinal, a ajuda só é conveniente quando possui caráter lucrativo, e não como uma solicitude para com o próximo.
Ademais, outro tópico importante a se disctutir tange à questão da falta de consideração no convívio social, sobretudo quando relacionado às instituições do agronegócio. Conforme os dados da Rede Brasileira em Pesquisa e Soberania, 19 milhões de brasileiros passam fome e que, porém, vai de encontro com a posição do Brasil na exportação de gêneros alimentícios — um dos maiores exportadores mundiais. A partir desse aspecto, é revoltante a negligência que o Estado possui para com a própria nação, onde uma significante parcela se encontra faminta enquanto o alimento é retirado da fronteira nacional.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de trabalho, realizar a supressão da fome no país por intermédio de privilégios fiscais para grandes empresas que adotem medidas humanitárias como, por exemplo, contratação preferencial para baixa renda, distribuição obrigatória de uma parcela de alimentos das grandes redes de supermercados etc. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa do cenário da fome no mundo e, por conseguinte uma esperança para a concretização da visão de Zweig: um país do futuro.