A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/09/2021

O filme ‘‘A procura da felicidade’’, do ano de 2006, retrata a vida de Chris Gardner, que passa por causa de suas dificuldades financeiras é despejado de sua casa junto com seu filho. Assim como o personagem, milhões de brasileiros experimentaram a inserção em uma das mais duras realidades existentes no cenário pandêmico: a fome. Essa atrocidade pode ser atribuída à negligência do Estado para com a população, paralelo ao individualismo dos cidadãos com a trágica vinda do COVID-19.

No que se diz respeito às obrigações estatais, é possível fazer uma analogia com Contrato Social idealizado pelo filósofo John Locke, em que o Estado surge como uma instituição com o fim de garantir direitos naturais a população. Tendo isso em vista que parte de uma comunidade se encontra em uma condição de extrema vulnerabilidade, cabe ao Estado suprir às necessidades básicas de tal parcela. Especialmente em um período onde a maioria dessas pessoas se encontram incapazes de buscar recursos em virtude da pandemia, que fez com que mais de 500 mil pessoas do país falecessem.

Ademais, pode-se ainda refletir acerca da falta de empatia dos mais favorecidos com os problemas do outro. Charles Darwin afirmou na teoria da Seleção Natural que a sobrevivência de determinada espécie estaria condicionada à sua capacidade de se adaptar ao ambiente. Sob esse viés, os que conseguiram encarar o contexto pandêmico com mais facilidade foram os que usufruíam de mais privilégios. Contudo, houve muita preocupação sobre si e pouca preocupação em repartir com os que sofriam. Muito se pensou a respeito da própria sobrevivência, mas quando se fala da integridade do próximo, é demonstrada uma grande indiferença.

Portanto, compreendendo a complexidade dos fatores supracitados,  medidas para resolução da problemática da fome se tornam imprenscindíveis. Cabe, pois, um direcionamento de verbas ao Ministério da Cidadania, para que haja elaboração de projetos que concedam cestas básicas gratuitas, a fim de suprir a fome dos necessitados. Cabe ainda às ONGs intervirem, por meio de ações sociais, a distribuição de alimentos,  para benefício da população. Com isso, o final feliz que ocorreu em ‘‘A procura da felicidade’’ será uma realidade no território verde e amarelo.