A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 10/09/2021
No início de 2020, diante de uma pandemia global de Covid-19, o mundo se encontrou diante de uma crise sanitária que evidenciou as desigualdades na sociedade contemporâneia. Por essa ótica, observa-se o aumento de famílias em situação de insegurança alimentar, tal condição se da quando o individuo não tem acesso e disponibilidade a alimentos com um bom valor nutricional, atingindo principalmente países subdesenvolvidos que já contam com alguma parcela de sua população em condições famelicas.
Primeiramente, é de suma importância evidenciar que é um dever do estado assegurar o acesso a alimentação, direito esse garantido pelo artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Entretanto, ainda que previsto constitucionalmente, cerca de 10 milhões de pessoas viviam em situação de insegurança alimentar no Brasil em 2018, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), número esse que sofreu aumento diante da situação pandêmica que se encontra o mundo e princiapalmente o Brasil.
Ademais, embora o crescimento populacional tenha ocorrido rapidamente entre os séculos XIX e XX, diferente do atestado pelo iluminista Thomas Robert Malthus, a população mundial não cresce em progressão geométrica o que para o pensador seria um dos principais motivos para ocasionar a fome no mundo. Além disso, é necessário salientar que o desperdício de alimentos contribui para que os índices da fome aumentem, uma vez que alimentos tidos como não consumíveis são descartados diariamente por não terem valor comercial.
Diante dos fatos e dados apresentados, medidas são necessárias para contribuir para erradicação da fome e mitigação do seu agravamento. A nível nacional compete ao Governo Federal a ampliação de projetos como Bom Prato que possibilita o acesso a uma alimentação nutricionalmente balanceada a preços simbólicos como existente hoje na cidade de São Paulo. Por parte do Ministério da Economia em conjunto com o Ministério da Cidadania é cabível a criação de programas que permitam uma melhor distribuição de renda para que todos os cidadãos tenham acesso a alimentos nutricionalmente ricos e uma melhor qualidade de vida. E por parte da iniciativa privada cabe a distribuição dos alimentos que seriam descartados por não serem comercialmente bem vistos, a pessoas em situação de vulnerabilidade social evitando o desperdício e colaborando para erradicação da fome.