A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU, assegura a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. Entretanto, esta declaração se difere da realidade, uma vez que a questão da fome em tempos de pandemia ainda é uma realidade. Nesse sentido, observa-se uma problemática que tem como causas o silenciamento e o negligenciamento governamental.

Dessa forma, em primeira análise, a ausência do assunto em pauta é um desafio presente na questão. Conforme a filósofa brasileira Djamila Ribeiro explica, é necessário que se tire uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas, visto que, o problema continuará sem solução a menos que seja debatido. De acordo com o Inquérito Nacional sobre a segurança alimentar no contexto da pandemia, mais da metade da população brasileira pode vir a sofrer pela falta de alimento, o que por conseguinte afetará a saúde dos brasileiros, já que se alimentar é uma necessidade básica de todos. Logo, enquanto a sociedade não abrir os olhos para dada realidade, a questão não terá solução.

Em paralelo, o descaso do governo diante da realidade, é um entrave no que tange ao problema. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman cita em sua obra sobre globalização, “a população caminha para uma desordem mundial, causada sobretudo, pela falta de controle do Estado”, o que descreve claramente os dias atuais, em que, em meio a uma pandemia o governo abandona seu país, resultando no aumento da desigualdade e da fome no Brasil. Diante disso, faz-se mister que o Estado tome providências.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras disponibilizadas nas escolas e para toda sociedade, divulgar a realidade da fome no Brasil. Tal ação pode, ainda, ser divulgada em mídias de massa, para que tenha mais alcance, e então, concretizar-se o objetivo de conscientizar a população diante da problemática, para que se tenha uma sociedade ciente e disposta a ajudar, além de, consequentemente, quebrar o silenciamento.