A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/09/2021

No poema " O Bicho", de Manuel Bandeira, o autor faz críticas à realidade brasileira em relação à falta de alimentos para parte da população. Mesmo que a poesia tenha sido escrita no final da década de 1940, o triste contexto da fome ainda permeia a vida de inúmeros cidadãos brasileiros, principalmente após a eclosão da pandemia. Tais fatos denotam como um cenário soturno e caótico, como a dispersão desenfreada de uma doença pelo globo, acentuam ainda mais um problema pertinente na sociedade, o qual é gerado não só pela falta de atenção e aprendizado em relação ao passado da humanidade, como também devido à má distribuição de suprimentos por todo o mundo.

Em primeira instância, é oportuno comentar como épocas já ocorridas, mesmo que longínquas, podem ensinar as pessoas a se portarem melhor mediante um problema atípico. Exemplificando, é válido ressaltar o caso da Peste Negra, ocorrido no século XIV, no qual, devido ao contágio acelerado da peste bubônica, doença infecciosa transmitida por pulgas de ratos, quase um terço da população européia morreu. Dessa forma, é lícito afirmar como cenários passados são elementares para lidar com problemas atuais, visto que, parafraseando George Santayana, notório filósofo e poeta espanhol, aqueles que não se lembram ou não têm ciência do passado estão condenados à repeti-lo.

Em segundo lugar, é valido frisar como o problema da não equitativa distribuição de alimentos é o principal causador  da fome, e não a falta de comida por carência produtiva. Como exemplo, vale citar o caso da Revolução Verde, na década de 1970, a qual possibilitou, por acentuar a evolução tecnológica dos métodos agropecuários, a expansão da fronteira agrícola na Região Centro-Oeste e o aumento exarcerbado da produtividade. Desse modo, mesmo que o Estado brasileiro tenha passado por melhorias na cadeia produtiva, as quais, em tese, possibilitariam que todos os cidadãos tivessem acesso à comida, muitos indivíduos, por possuírem uma renda simplória, não têm acesso a uma alimentação básica.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, urge a necessidade do governo, por meio de uma parceria com ONGs, Organizações Não Governamentais, de caráter social, elaborar um programa que vise investir nos meios de transporte e distribuição de suprimentos alimentícios para todas os locais do Brasil, especialmente as Regiões Norte e Nordeste, a fim de que o número de pessoas que passem por condições alimentares extremas diminua. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura, por intermédio de uma associação com instituições de ensino, criar campanhas que incentivem uma análise mais aprofundada da história, com o intuito de que problemas presentes, como a subalimentação, possam ser resolvidos pelo estudo de materiais como os de Manuel Bandeira e George Santayana.