A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 12/09/2021
Franklin D. Rooselvet, ex-presidente dos Estados Unidos, exprime em sua fala que a prova do progresso não é se aumenta-se a abundância dos que tem muito, mas sim se providencia-se o suficiente para os que têm pouco. Diante disso, destaca-se a questão da fome que afeta considerável parcela da população nos tempos de pandemia, que se intensifica devido a negligência estatal e a inércia social.
Em primeiro lugar, é lícito evidenciar a falta de atuação do Estado para solucionar a problemática. Nesse contexto, segundo a teoria do contrato social, elaborada pelo filósofo John Locke, é dever do Estado garantir o bem estar social. Entretanto, esta não é a realidade observada visto que diante de dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, apurados durante o período da pandemia de Covid-19, 55,2% da população brasileira sofre alguma ameaça ao direito de alimentação, isso se deve a imobilidade do Estado diante ao crescente aumento dos preços dos produtos alimentícios e da falta de projetos sociais que subsidiem o fornecimento desses produtos de modo a contemplar a parte mais carente dos cidadãos, afetando assim, o direito efetivo de acesso a comida. Desse modo, são necessárias ações que visem garantir obtenção dos alimentos por maior parcela da população.
Outrossim é imperativo destacar a inércia social como um fator que colabora para a persistência da problemática. Nesse viés, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para exigir dos órgãos públicos acesso igualitário aos produtos alimentícios ou o fornecimento destes para abater as necessidades dos mais carentes, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de sensibilidade dos indivíduos frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, nesse caso a impossibilidade de acesso a comida enfrentada na pandemia. Por conseguinte considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência e a manutenção dessa situação maléfica à sociedade.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária ação do Estado disponibilizando verbas para subsidiar projetos sociais que contemplem a população carente com recursos alimentícios como cestas básicas e contratar profissionais que fiscalizem a distribuição afim de que esta contemple eficazmente quem mais precisa. Paralelo a isso é necessário que a população também se mobilize fornecendo apoio aos indivíduos mais carentes a sua volta, utilizando de recursos como celulares e internet para acionar os órgãos responsáveis por atender os mais vulneráveis da sociedade como o CRAS. Feito isso, o Brasil poderá combater a fome na pandemia e progredir fornecendo o suficiente para os que não dispõem de muito como dito por Franklin.