A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 10/09/2021
No filme espanhol “O poço”, de 2019, é retratada a vivência de prisioneiros em uma prisão vertical na qual a comida é destribuída de forma que as camadas inferiores fiquem com as sobras das superiores. Ao longo da trama, a narrativa mostra como a fome afeta o ser humano o levando ao limite na miséria dos níveis mais baixos em dicotomia com a exuberância e tranquilidade dos níveis mais altos. Fora da ficção, pode-se relacionar a realidade vivida no filme a esta do século XXI: A problemática sobre o aumento da fome no Brasil durante a pandemia promovido pela falta de políticas públicas eficazes e pela expansão do desemprego.
Nesse contexto, é importante destacar que, apesar de ter atingido todo o mundo, o Covid-19 não promoveu as mesmas consequências para todos os países. Sob essa óptica, pode-se citar, por exemplo, a Nova Zelândia, um dos países liderança no combate à pandemia, que criou diversos projetos voltados ao não desamparo da população em divergência ao Brasil que, com suas políticas públicas reduzidas e ineficazes, reposicionou o país no mapa da fome da Organização das Nações Unidas depois de 6 anos da sua saída. Dessa forma, a falta da criação de uma estrutura de destribuição de alimentos abrangente ou de um auxílio financeiro coerente tornou a fome um tópico novamente atual.
Além disso, cabe-se citar que, nos últimos quase 2 anos de pandemia, o Brasil tem enfrentado uma crise não somente sanitária como também econômica, sendo essa responsável pelo crescimento exponencial no número de desempregados no país. Segundo o jornal O Globo, em 2021, 10% da população ficou desempregada, assim, deixando diversas famílias incapazes de se sustentar pelaa falta da renda mensal. Sendo assim, o Corona vírus, ao levar empresas a falência pela crise monetária, tornou o alimento inacessível à significativa parte da país.
Em síntese, o Brasil enfrenta uma crise humanitária dentro de uma crise sanitária, o que exige, assim, uma movimentação do Estado. Para o combate à fome no país, urge que o Ministério da Economia aumente o valor concedido no auxílio emergencial com a finalidade de que ele se encaixe no preço real dos alimentos, além de conceder créditos mínimos, por meio de acordos para o pós-pandemia, para que grandes empresas não declarem falência e tirem o emprego de diversas pessoas. Somente assim será possível que a fome deixe de ser realidade no país.