A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/09/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6º, o direito à saúde e ao bem-estar como inerentes a todos os cidadãos brasileiros. Contudo, a questão da fome em tempos de pandemia vem se agravado cada vez mais, tornado o gozo por esses direitos cada vez mais distante da realidade de muitos cidadãos do Brasil. Dessa forma, não só o silenciamento social, como também a falta de políticas públicas colaboram para a permanência desse problema. Faz-se necessária, então, a discussão dos fatores que favorecem esse cenário.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de debate relacionado ao viés de fome vigente no país como potencializador do impasse. Seguindo essa ótica, Frida Kahlo, importante pintora mexicana, ao pintar o seu autorretrato de diferentes maneiras e perspectivas, mostrou a importância de se rever e debater constantemente um assunto, para que suas causas e consequências possam ser erradicadas. Desse modo, fica evidente a necessidade do diálogo social, pois os brasileiros devem buscar formas de atenuar a fome vivida por muitos, mesmo fora de uma pandemia, mas infelizmente isso não acontece com a constância necessária para findar essa realidade.

Ademais, é fundamental apontar a falibilidade estatal, no que diz respeito a falta de investimentos em prol  da garantia das necessidades básicas da sociedade brasileira, como intensificador desse quadro. Nesse sentido, hodiernamente, segundos do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, se torna ainda mais frequente a taxa de crescimento da fome no Brasil, isso, de acordo com o filosofo contratualista, John Locke, configura-se como quebra do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função em garantir os direitos indispensáveis, como à alimentação, o que faz com que os brasileiros tenham que optar por se alimentar com comidas sem o tratamento devido, correndo riscos de saúde. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Poder Executivo, invista capital na criação de programas de inclusão social, visando alimentar a população que passa por dificuldades financeiras, urge, também, que seja aumentado o valor do programa Bolsa Família, para que a sociedade possa desfrutar ainda mais de seus direitos. Além disso, é importante que os empresários brasileiros, por meio da mídia, elaborem propagandas divulgadas nas redes sociais e na televisão, que mostrem a realidade para a população que o momento atual do país, para que esses possam constantemente debater em buscar da erradicação da fome. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.