A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 04/11/2021

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos todo indivíduo tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que foi previsto e a questão da fome em tempos de pandemia. Em muitas partes do mundo, a pandemia provocou recessões brutais e prejudicou o acesso aos alimentos. Neste contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da má distribuição dos alimentos produzidos e da falta de políticas públicas focada nos mais vulneráveis.

Primeiramente, a produção mundial de alimentos é muito superior à demanda de consumo. Assim, grande parte dos alimentos produzidos é desperdiçada em alguma fase do ciclo de produção ou consumo. O Brasil, por exemplo, é um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Ainda assim, os brasileiros sofrem com a desigualdade na distribuição de alimentos e com a fome de forma cruel. Certamente, mesmo com a atual conjuntura pandêmica o interesse na lucratividade das commodities fomentam um mercado consumidor majoritariamente formado pelas classes mais altas. Na sequência, o cenário atual está inserido no pensamento do escritor Eduardo Marinho, em que há covardia e não uma competição onde há desigualdade de condições.

Ademais, a Constituição Federal de 1988 assegura a alimentação como um direito social. Entretanto, a partir de 2020, o aumento da fome no Brasil e em outros países foi impactado pela pandemia. Por certo, o alastramento da fome no Brasil é reflexo não só do fim ou esvaziamento de programas voltados para estimular a agricultura familiar e combater a fome, mas também a defasagem na cobertura e nos valores do Bolsa Família. Ainda, é de suma importância o desenvolvimento de políticas de combate à fome.

Evidencia-se, portanto, que o consumo de alimentos das pessoas de baixa renda é limitado. Logo, é dever do Estado junto aos ministérios atuantes, o desenvolvimento de legislações que viabilizem a distribuição obrigatória de uma parcela dos alimentos produzidos em solo nacional para famílias de classe baixa pobre. Além disso, cabe a mídia conscientizar a população sobre a doação de alimentos que seriam desperdiçados. Espera-se, com tudo isso, a mudança no cenário atroz que assola o mundo.