A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 02/10/2021

De acordo com a obra musical “Xibom Bombom”, do grupo As Meninas, lançada em 1999, tudo o que se quer é poder viver bem, com dignidade e se alimentar, mas o que se vê desde duas décadas atrás no lançamento da música, é que “o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre”. Vinte anos após a obra, a fome durante a pandemia se torna uma das mais duras das últimas décadas. Segundo a ONU, em 2020 mais de 30% da população global sofreu com insegurança alimentar moderada ou grave. E conforme dita a música, governos ricos se muniram de ações para os seus ricos, mas aparentemente abandonaram o plano global da ONU de erradicação da fome até 2030. Enquanto isso no Brasil, o número de pessoas com fome aumenta.

No que tange aos governos das maiores economias, bolsas generosas de auxílio e alimentação aos seus residentes são fornecidas, a fome é minimizada, e o dinheiro gira. Fazem ainda investimentos altos para a compra de indústrias e de produção de vacinas. Enquanto isso os países pobres ainda sonham em receber donativos de alimentos, e estão muito atrás na corrida de vacinação. Aos privilegiados a luta pelo poder de retomar as atividades supera a vontade de ajudar os que estão longe de seu poder. Nesse rumo em que vão as relações internacionais os países ricos sairão da crise, voltarão a crescer e alimentar os seus, e os pobres continuarão muitas vezes abandonados, pedindo socorro com o básico para a subsistência - alimentos - por muito além de 2030.

Ademais, trazendo o mesmo problema para o Brasil, a  fome ameaça cada vez mais famílias, e o que chega a ser televisionado – como a fila para restos e ossos em açougues – mal é visto pela parcela vivendo em home-office, recebendo entregas em casa, cujo a mídia do cotidiano já não é mais a televisão, e cujas rotinas e isolamento distanciam ainda mais das ruas onde poderiam ver a realidade. Os auxílios do governo não são altos, e a inflação é um medo crescente nos preços de alimentos básicos. Nesse momento 55,2% da população brasileira sofre algum grau de risco com relação a alimentação – na ironia de ter uma indústria agropecuária capaz de alimentar mais de 800 milhões de pessoas, segundo a Embrapa.

Se faz urgente, diante do exposto, a busca de soluções de nível global para uma distribuição de alimentos que permita superar a fome e seu aumento durante a pandemia. Como proposta, os países filiados a ONU deveriam entrar em acordo, assinar um termo de partilha de recursos constante, de forma a criar um caixa global, capaz de custear e distribuir alimentos. A distribuição se daria por fundações internacionais de logística, filiadas à ONU, inclusive no Brasil e para o Brasil. Dessa maneira haveria uma maior cooperação internacional e um novo caminho para eliminar a fome global.