A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 14/09/2021
Fome e insegurança alimentar são os temas centrais do filme O Poço da Netflix, no qual as personagens, em sua maioria, tem apenas restos de comida para se alimentar. Não muito distante, a população brasileira vive um cenário semelhante em meio à pandemia, enfrentando filas para doação de ossos em uma tentativa de garantir o sustento de suas famílias. Nesse contexto, é importante ressaltar dois pontos causadores dessa problemática: o aumento dos preços dos alimentos e da taxa de desemprego no país.
Primeiramente, é preciso colocar o aumento dos preços dos alimentos como protagonista na questão da fome na pandemia. Isso ocorre pois houve um aumento expressivo da inflação, que chegou a 0,83% em maio de 2021, sendo a maior em 25 anos. Sendo assim, produtos básicos que compõem a dieta do brasileiro tiveram uma significativa elevação nos preços, como por exemplo o arroz e o feijão que sofreram um aumento de mais de 50%. Com isso, a saída para muitos tem sido consumir subprodutos desses alimentos, como grãos quebrados para compor sua alimentação diária, o que ilustra o quanto o poder aquisitivo da população brasileira diminiu drasticamente devido o aumento exponencial do desemprego no país.
Posto isso, é inegável que o desemprego é um agravente da insegurança alimentar que assola o Brasil. Assim como a inflação, a taxa de desemprego bateu recordes atingindo 14,8 milhões de brasileiros, maior número registrado na história do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cabe ressaltar que, o desemprego é mais alto entre pessoas com ensino médio incompleto e, em paralelo a isso, uma pesquisa realizada pela VigiSAN revela que 14,7% dos lares chefiados por uma pessoa de baixa escolaridade estão enfrentando a fome. Desse modo, fica evidente que em função do combate a fome é imprenscindível a correção do contexto atual de desemprego.
Portanto, em razão do aumento dos preços e das altas taxas de desemprego que contribuem para o crescimento da quadro da fome na pandemia, é importante que o Governo, representado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, promova políticas públicas abrangendo todas essas famílias em estado de insegurança alimentar, por meio da promoção de cestas básicas para serem distribuídas entre os brasileiros com baixo poder aquisitivo com a finalidade de amenizar e retardar a taxa da fome que anula a mínima chance de uma vida digna para o povo brasileiro.