A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 12/09/2021

‘‘Anomia é a condição social em que as normas reguladoras do comportamento humano perderam sua realidade’’. Essa frase de Dahrendorf representa, de forma atemporal, a questão dos perigos da fome em tempo de pandemia no Brasil, tendo em vista que muitos cidadãos ainda sofrem com a insegurança alimentar, representando um estado de anomia. Desse modo, são necessários caminhos para o combate dessas ações, considerando a ordem política e cultural da sociedade brasileira.

A princípio, a Constituição Federal de 1988, promulgada com base nos direitos humanos, prevê como garantia fundamental o direito à alimentação. Contudo, o próprio Poder Estatal, pela falta de políticas públicas, fere a legislação. Isso porque o Poder Executivo não promove a criação de projetos visando combater a fome, com a distribuição de alimentos e auxílios financeiros para os necessitados. Logo, essa negligência estatal representa uma das causas do imbróglio.

Ademais, é fundamental salientar que a diminuição da solidariedade em tempos de pandemia é propulsora da fome. Conforme Zygmunt Bauman, a inexistência de vigor nas relações sociais, políticas e econômicas é a peculiariedade da ‘‘Modernidade Líquida’’ vivenciada na contemporaneidade. Logo, caso o problema continue sendo tratado da mesma forma, é possível que o número de doações de alimentos e de pessoas se oferecendo para trabalhos voluntários continuem diminuindo, contribuindo para a propagação da fome.

Portanto, nessa conjuntura, urge que o Poder Executivo tome uma medida a fim de combater a questão da fome em tempos de pandemia. Para tanto, uma solução seria dar condições para as pessoas em situação de insegurança alimentar de comprar sua comida, por meio da criação de auxílios financeiros exclusivos para a compra de alimentos. Em consequência disso, reduzir-se-ão os casos de fome no país, garantido um dos requisitos básicos para a vida digna humana.