A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 13/09/2021

Honoré de Balzac, importante escritor francês, afamado por suas agudas análises psíquicas, afirma que a igualdade é um direito de todo ser humano, todavia não existe poder o suficiente para tornar isso uma realidade. De fato, esse direito não é executado na prática e isso pode ser percebido na questão da fome em tempos de pandemia, que atinge em sua maioria pessoas em situação de vulnerabilidade social. Perante o exposto, torna-se impreterível atuar para retroceder essa terrível e impiedosa situação, que tem como impulsionador não só à invisibilidade, mas também à omissão governamental.

Sob esse viés, pode-se apontar como um fator fomentador dessa adversidade é a invisibilidade. Nessa conjuntura, é considerável ressaltar o pensamento de Zygmunt Bauman, que considera a falta de visibilidade correspondente ao perecimento, posto que a humanidade vive no século da informação. Na realidade brasileira, há um silenciamento instaurado na questão da fome em tempos de pandemia, visto que um levantamento, ocorrido em uma audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, mostrou que 19 milhões de brasileiros estão em situação grave em relação ao acesso à alimentação. Diante dessa perspectiva, verifica-se que a falta de visibilidade impacta fatalmente no número de casos de orexia, por isso é preciso tirar essa situação da invisibilidade.

Além disso, outro ponto relevante nessa temática é a omissão governamental que está, vigorosamente, vigente nesse obstáculo. À frente desse cenário, é valoroso destacar que, de acordo com Hideraldo Montenegro, “o papel e função do Estado deve ser de proteger os indivíduos ou deixará de cumprir sua essência fundamental”. No entanto, o Estado tem descumprido seu papel de salvaguardar seus cidadão na questão da fome em tempos de pandemia, uma vez que, segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar em Contexto de Covid, revelaram que 55,2% da população brasileira sofreram alguma ameaça ao direito aos alimentos. Logo, é incontestável que a negligência governamental está presente nessa grave contrariedade, então precisa ser combatida.

Depreende-se, portanto, que o caminho para subtrair essa problemática é ímprobo e escabroso, apesar disso precisa ser percorrido. Para isso, o Estado deve criar um projeto de inclusão social, com o objetivo de criar oportunidade de emprego para os indivíduos mais vulneráveis, por meio de investimentos em escolas técnicas, a fim de fornecer mais oportunidade de adentrar no mercado de trabalho e, consequentemente, minimizar a questão da negligência governamental. Tal ação pode, ainda, contar com o pesquisas públicas para entender as reais necessidades da população. Simultaneamente, é preciso atuar para reverter a invisibilização presente no problema. Por conseguinte, será possível assegurar o direito a igualdade que Honoré de Balzac retratou.