A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 29/06/2022

A tortuosa história do Brasil, contata por Schwartz e Starling no livro “Brasil: uma bibliografia”, apresenta as persistentes desigualdades enfrentadas pelos grupos que frequentam as periferias sociais brasileiras, a citar, a parcela da população que vive sem acesso à uma alimentação regular. A fome sempre foi um desafio que assombrava os nichos mais marginalizados. Com a Pandemia, o direito a uma refeição, se tornaria uma grande conquista. Assim, faz-se necessário entender os entraves que impedem as pessoas de poderem se alimentar com dignidade, a ludir, a omissão do Estado e a falta de visibilidade para a pauta, no sentindo de desbancar tais bases prejudiciais.

Primeiramente, cabe analisar a relação do Estado com o direito à alimentação. Isto posto, ausência de políticas públicas e programas de redistribuição de renda , resultam na fragilização desse segmento desfavorecido. J. Rawls afirma, em sua obra “Uma teoria de Justiça”, que um Governo que se intitula ético é aquele que disponibiliza recursos para todos os setores públicos. Nesse contexto é evidente que o Brasil não é um exemplo ao pensamento do teórico, isto que negligência as dificuldades dos sujeitos que convivem com a escarssez de comida, os impedindo de gozar plenamente de seus direitos sociais.

É conviniente destacar, a nítida invisibilização da pauta no campo social. Nesse tocante, a “Teoria do Traste”, elaborada por M. Barros, que tem como principal característica perceber as situações frequentemente esquecidas e ignoradas. Acerca dessa lógica, compreende-se que o imaginário brasileiro não segue tal viés, visto que os debates sobre a fome, seguem distantes das pautas comumentes discutidas, contribuindo, então, para a naturalização de ações que deveriam ser problematizadas.

Urgem pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coabir tal entrave. Para isso o Ministério do Desenvolvimento Social deve disponibilizar recursos para construção de espaços com refeições nas regiões periféricas, já que a fome é uma necessidade imedita, adjacentes a programas de inserção ao mercado de trabalho aos sujeitos que frequentam esses restaurantes comunitários. Destarde, cabe destacar a importância de se promover debates nas escolas, ministradas pelos docentes acerca da fome com uma problema social, que deve ser enfrentado de forma coletiva.