A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 14/09/2021
No contexto da era modernista, Manuel Bandeira, um dos maiores escritores da literatura brasileira, escreveu “O bicho”, poema este que, ainda hoje, mostra-se essencial para explorar um dos maiores problemas sociais enfrentados pela humanidade: a fome. Saindo da literatura, hodiernamente no atual cenário de pandemia em que encontramo-nos, a fome é um dos maiores vilões da nossa sociedade, que, por consequência do vírus Covid-19, aumentou drasticamente. Tal problemática se dá não só por negligência do estado, mas também pela pobreza. Assim, torna-se necessária a adoção de medidas por parte dos órgãos governamentais, visando a resolução de tal adversidade.
Sob esse viés, em 2003 no Brasil, foi criado o projeto Fome Zero, o qual tinha como objetivo garantir cidadania às famílias vulneráveis à fome, facilitando o acesso à alimentação. Com ele, em seis anos a fome diminuiu de 10,7% para 5%, porém, em 2014 o programa foi encerrado pelo governo. Nota-se o descaso do Estado para com a população, tendo em vista a extinção o de um programa que não só dignificava o cidadão, dando a ele o direito à alimentação, mas também salvava milhares de vidas. Diante disso, é imprescindível uma ação dos órgãos governamentais para mudar tal realidade.
Outrossim, é notável a pobreza, que aumentou significativamente nos últimos anos, como sendo outro grande fator que contribui para a manutenção do problema. Nesse sentido, é lícito referenciar o pensamento marxiano, que diz que em meio a um sistema capitalista desumano, o valor de cada indivíduo é definido pela sua capacidade produtiva, isto é, por seu poder aquisitivo, segregando assim, parte da população de baixa renda. Nesse contexto, os mais pobres ficam à mercê das dificuldades, entrando assim, em uma luta contra a fome, buscando viver dia após dia com a incerteza de que vai alimentar-se no dia seguinte.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Economia, órgão que cuida da formulação e execução da política econômica de todo o país, a criação de projetos como o antigo Fome Zero, que deem o direito da alimentação aos cidadãos, estabelecendo pontos estratégicos para a distribuição de ao menos duas refeições diárias para os necessitados, e do mesmo modo deve ser feito nos outros países com seus respectivos órgãos governamentais, a fim de formar uma sociedade mais saudável e digna do nosso bem mais precioso: a saúde. Dessa maneira, a questão da fome no poema de Manuel Bandeira ficará apenas no contexto da literatura.