A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 14/09/2021

A satírica história de George Orwell, ‘A revolução dos bichos’, logo de início faz uma reflexão sobre o individualismo humano, relatando ironicamente o comportamento ganancioso dos homens através de atitudes das personagens. Desse modo, o autor inglês mostra como a alienação e ausência de empatia podem acarretar no surgimento de problemas sociais gravíssimos. Isto posto, na vida real, tais coisas emergem como catalisadores de incisivas adversidades, como a fome, principalmente em tempos dificultosos, como os da pandemia.

À vista disso, segundo o cineasta francês Robert Bressom: “As civilizações acabam quando a ignorância se agrava”. Assim, é visível que uma sociedade, que difere tanto na qualidade da educação dos indivíduos conforme sua classe social, está tendenciada a passar por problemas derivados da falta de conhecimento. Logo, a má distribuição dos recursos é algo legitimado pela escolha do ser em melhor condição socioeconômica e com preparo instrutivo superior em manter o seu semelhante ‘inferior’ à sua mercê, se preocupando apenas com seu bem-estar individual.

Ademais, para o escritor alemão Franz Kafka: “Solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Sendo assim, a falta de empatia entre os cidadãos contribui para a diminuição do peso da vida e o aumento do valor de interesses próprios. Dessa forma, embora países, como o Brasil, que segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) chega a produzir quantidades de alimento para até 1,6 bilhões de pessoas, mas que conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) possui cerca de 116,8 milhões de cidadãos passando por algum tipo de insegurança alimentar, evidencia que a sociedade contemporânea poderia solucionar a fome, entretanto prefere não interferir nos direitos de certos indivíduos poderosos.

Portanto, para acabar com essa chaga social, é necessário que os governos mundiais e a ONU destinem uma parte da produção global de alimentos para nutrir as pessoas carentes que não possuem meios convencionais (compra) para a obtenção desses recursos. Então, isso deve ocorrer por meio de estabelecimento de uma taxa percentual global justa sobre o rendimento dos grandes produtores alimentícios, destinada a atender pessoas em risco nutricional, gerando desse modo o fim da fome existente no planeta. A fim de que com isso, a subalimentação se torne um problema do passado mostrando para as futuras gerações que a humanidade ainda persevera em prol de um mundo melhor.