A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 20/09/2021

A constituição federal brasileira de 1988, prevê, como direito social, a alimentação, a moradia e o bem estar. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da fome em tempos de pandemia no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito tão importante. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimentos governamentais, quanto da desigualdade social. Desse modo, torna-se fundamental a discussão sobre os aspectos, afim do funcionamento da sociedade.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de investimentos governamentais para combater esta problemática. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) desde o início da pandemia do novo coronavirús, o preço dos alimentos aumentou mais de 15% no país, fazendo com que assim, mais de 18 milhões de brasileiros em situação de fome no Brasil. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a alimentação, o que infelizmente é evidente no país.

Faz-se mister, ainda, saliente a desigualdade social como promotor do problema. De acordo com Karl Marx, sociólogo alemão, a história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes. Esta afirmação é claramente refletida a realidade da população brasileira. Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a relação causal entre a fome e as desigualdades, representada pela alta concentração de renda e riqueza, está no fato de haver pessoas em estado crítico de insegurança alimentar em locais sem problemas de abastecimento, o que que a fome no mundo também é uma questão sociocultural e política. Logo, é inadmissível que este cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de se identificar esses objetivos. Para isso, é imprescindível que, o Ministério do Desenvolvimento Social por intermédio de ongs, promova a criação de novos projetos que ajudem a essas pessoas a se reintegrarem socialmente, com centros para a alimentação diária, além de cursos profissionalizantes interligados com empresas que visem oferecer trabalho. Paralelamente, o Ministério da Cidadania viabilize normas para evitar a exclusão dessas pessoas no meio econômico e social, matendo auxílio emergencial e bolsa família para essas famílias se sustentarem e garantir o seu “pão” de cada dia, diminuindo assim, então, essa alta porcetagem de fome no país. Assim, se consolidará um Brasil mais igualitário e melhor para as gerações futuras.